Movimentos de libertação estavam em crise em 1974, diz historiador (áudio)

(REUTERS)
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Declarações do presidente da Assembleia da República foram proferidas na tarde desta quarta-feira no Palácio de Belém.

Em 1974, os movimentos nacionalistas angolanos atravessavam uma enorme crise, mas, paradoxalmente, o seu apoio “interno” aumentava, o que colocava as autoridades coloniais portuguesas numa situação de prevenção contra possíveis explosões de violência de movimentos “espontâneos”.

A opinião é do historiador e jornalista angolano Jonuel Gonçalves.

“É um fenómeno curioso porque, de facto, havia uma crise do nacionalismo angolano reconhecido fora do país, mas dentro do país isso não tinha nenhum efeito de perda de apoio e a polícia política portuguesa sabia disso”, disse Gonçalves, acrescentando que documentos dessa polícia tornados públicos após o golpe de estado de 25 de Abril de 1974 em Portugal confirmam isso.

“Consideramos hoje que havia uma resistência interior que era desconectada dos movimentos de fora” , disse.

Em conversa com a VOA, Gonçalves afirmou que facto de que, enquanto na Guiné Bissau e em Moçambique a guerrilha dos movimentos nacionalistas estava a ter sucesso, o mesmo não acontecia em Angola.

Ele exemplifica com a crise dos movimentos nacionalistas angolanos com o facto de, em Abril de 1974, eles tinham no interior do país “algumas dezenas de militantes armados”.

“Eram poucos, vamos dizer que seriam no máximo 150 e o MPLA teria nesse grupo a maioria porque estava presente no norte de Luanda e no leste com pequenos grupos”, afirmou o historiador, fazendo notar a natureza “assimétrica” desse tipo de guerra em que é necessário haver pequenos grupos

Quando se deu o golpe de Estado em Portugal, a guerra de libertação em Angola era de “muito baixa intensidade” não havendo mesmo informação de algum confronto militar no mês de Abril de 1974.

Ao mesmo tempo, no entanto, começavam a surgir grupos clandestinos que poderiam lançar iniciativas armadas nas cidades, disse o historiador

Esse fenómeno criava um clima de agitação constante no país com publicações e mesmo projectos de ataques armados “uns mais ingénuos, outros menos”.

Apesar da crise nos movimentos, Portugal aumentou os seus efectivos e gastos militares em Angola porque considerava que não tinha ganho a guerra na então colónia.

O historiador angolano considera que a situação era de contenção da guerra de guerrilhas, mas “por outro lado graças ao grande apoio popular e à própria forma como se conduziam as autoridades coloniais” poderiam surgir explosões” em centros urbanos importantes. (voa.com)

Acompanhe a conversa com Jonuel Gonçalves em Agenda Africana:

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