Moçambique: Pressão cambial resulta de factores conjunturais – reitera Ernesto Gove

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O Governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove negou que a pressão cambial que o país está a sofrer, nos últimos meses, esteja relacionada com os empréstimos contraídos para a execução de obras de vulto como a construção da estada circular e Ponte Maputo Katembe, bem como a constituição da Empresa pesqueira Ematum.

Falando sexta-feira, durante uma Conferência Nacional sobre a Dívida Pública, evento organizado pelo Grupo Moçambicano da Dívida em coordenação com outras organizações da sociedade civil em Moçambique, Gove apontou que a depreciação do metical, sobretudo, em relação ao dólar norte-americano resulta de factores de natureza externa e interna.

Explicou que no Plano internacional, o dólar norte-americano tem estado a apreciar-se tendo atingido níveis preocupantes também em relação ao rubro da Rússia, real do Brasil bem como algumas moedas da região austral de África como a Zâmbia onde a depreciação chegou a ser de 100 por cento.

“O que se passa, neste momento, é que a nossa economia continua a depender muito em relação ao exterior. Há um esforço muito grande. Se se olhar para trás se vê que há um período em que o orçamento dependia em mais de metade dos donativos ou empréstimos. Hoje estamos a nos libertar dessa situação”, disse Gove, para quem o reflexo disso na balança de pagamentos é que como o país não produz o que necessita e tem de importar.

Outro aspecto é que, segundo Gove a economia moçambicana tem algo que deve ser corrigida com urgência através de adopção de políticas estruturantes. “Vejam que desde o tempo colonial nunca tivemos uma balança de pagamentos superavitária”.

Significa que, no entender de Goze, o país tem desde essa altura, uma balança de transacções correntes muito deficitária, mas o esforço deve ser de corrigir esta tendência.

A Conferência Nacional sobre Dívida Pública serviu para o lançamento do “Diálogo para a Promoção da Transparência e Responsabilidade na Contratação da Dívida Pública, à luz do novo quadro de financiamento ao desenvolvimento assente nos actuais desafios globais e nacionais, contribuindo para uma Estratégia de Gestão da Dívida Clara, Consistente e Inclusiva.

Durante a conferência, a questão do endividamento para as grandes obras em referência também foi abordada pelo Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, para quem os empréstimos realizados para a construção da estrada circular de Maputo, a ponte Maputo Katembe e ainda a constituição da empresa Ematum foram uma opção que o Estado entendeu ser convenientes mas que, naturalmente, podem ser questionadas por qualquer outra entidade.

“Se se questionar a um residente da Katembe ou de Matuituine ou ainda um outro moçambicano sobre a pertinência da estrada e da ponte, certamente que as respostas podem variar em função do indivíduo. O mesmo acontece em relação a estrada circular que vem para descongestionar a Estrada Nacional EN1, mas pode haver quem prefira ainda que se fique com a EN1 congestionada como está”, referiu Maleiane.

Na ocasião, o governante explicou que ter a estrada Maputo Katembe e a respectiva ponte concretiza-se a ligação rodoviária entre o norte e o sul país, para além de que fica possível sai de Durban, na África do Sul até Cairo, no Egípto, sobretudo, porque em Cabo Delgado estão em curso obras da estrada que liga Moçambique e Tanzania via Negomano.

Em relação a Ematum, Maleiane entende que um dos grandes enfoques dos moçambicanos, neste momento, deve ser de ajudar a empresa a vender a sua produção, porque caso isso não se concretize a dívida contraída será paga pelo Estado que vai recorrer aos impostos dos moçambicanos para assim o proceder. (jornalnoticias.co.mz)

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