Mariana começa a reunir doações para ajudar vilarejo após rompimento de barragem (vídeo)

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O ginásio da cidade de Mariana já está recebendo doações para as famílias que perderam suas casas destruídas pela onda de lama e detritos que desceu da barragem de rejeitos da Mineradora Samarco que se rompeu na última quinta-feira (5), e atingiu parte do distrito de Bento Rodrigues, a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais.

A professora Karina Barbosa, que mora em Mariana, disse à Agência Brasil que as informações sobre o acidente ainda são desencontradas. “Ainda não se sabe quase nada”, afirmou. “Olha, a cidade gira em torno da mineração. As pessoas estão apreensivas. Em frente ao ginásio está ficando bem cheio e está engarrafado’”, acrescentou.

Douglas Couto, assessor da prefeitura, disse que as equipes de resgate estão em Bento Rodrigues, próximo ao local do acidente. “As famílias ainda estão no local. Elas vão ser trazidas para quadra de esportes de Mariana. As famílias perderam tudo. A lama tomou conta até da torre da igreja”, afirmou.

A prefeitura de Mariana pediu a colaboração da população no sentido doar principalmente Itens como roupas, colchões, água mineral e produtos de higiene pessoal são os mais importantes. Moradores vizinhos a Mariana também se mobilizam para arrecadar donativos.

De acordo com o capitão Thiago Miranda, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, há uma morte confirmada até o momento. Trata-se de um homem que teve um problema cardíaco ao ver o desastre e faleceu. Segundo Miranda, o número confirmado de desaparecidos, até o momento, é de 16 pessoas.

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“Agora, na parte da noite, está sendo feito um trabalho de contagem dos desaparecidos, de confirmação junto a parentes, amigos, colegas de trabalho que estavam próximos, para que tenhamos um número mais preciso de pessoas que ainda não foram encontradas”, disse Miranda ao Repórter Brasil, da TV Brasil.

O governo federal colocou o Exército Brasileiro à disposição do estado de Minas Gerais para ajudar no socorro às vítimas da inundação provocada pelo rompimento da barragem de uma mineradora no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana.

Após o rompimento da barragem da Samarco, instalada na região, todo o local foi inundado com lama, rejeitos sólidos e água usados no processo de mineração. A mineradora, que não sabe ainda informar as causas do ocorrido, pediu que os moradores de Bento Rodrigues evacuem o local e sigam imediatamente para o distrito de Camargos, que é mais alto e seguro. De acordo com a prefeitura, a situação no local é muito grave e há risco de desmoronamentos. Várias casas foram alagadas.

De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, forças federais estão em regime de prontidão em Belo Horizonte e em São João del Rey. A presidenta Dilma Rousseff foi informada do acidente pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, no final da tarde, antes de embarcar para Brasília após cumprir agenda em Alagoas.

O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, viaja amanhã para acompanhar as ações de socorro e assistência às vítimas, ao lado de técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

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Outros órgãos do governo federal que foram colocados à disposição de Minas Gerais para prestar apoio foram o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, vinculado ao Ministério da Integração Nacional, e a Força Nacional do Sistema Único de Saúde.

Ainda não há um número oficial de desabrigados. Segundo a Associação Comunitária da região, o subdistrito de Bento Rodrigues tem 620 moradores. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, já se dirige para a cidade.

Segundo a prefeitura de Ouro Preto, o rompimento da barragem ocorreu por volta das 16h20. Em nota, a Samarco informou que houve um rompimento de sua barragem de rejeitos, denominada Fundão. “Não é possível, neste momento, confirmar as causas e a extensão do ocorrido, bem como a existência de vítimas”, diz a nota.

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Mortos e feridos
Ao menos 17 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas após o rompimento de uma barragem que continha rejeitos tóxicos de uma mineradora no município de Mariana, no Estado de Minas Gerais, informou à AFP o comandante local dos bombeiros, Adão Severino Junior.

“A situação está preta. Está escuro, há muito barro. Há muita informação desencontrada e as buscas continuarão durante toda a noite”, disse Adão Severino.

Várias casas de Bento Rodrigues, onde viviam cerca de 620 pessoas, ficaram cobertas pela lama até a altura do telhado, aparentemente após serem arrastadas por centenas de metros, revelaram imagens exibidas pela TV.

“Não há qualquer possibilidade de se sobreviver sob este material”, assinalou Adão Severino.

Os feridos resgatados até o momento estão sendo atendidos nos hospitais de Mariana e do distrito de Santa Rita Durão.

A única vítima fatal confirmada até o momento é um homem que morreu de infarto ao chegar ao local do acidente e ver o que ocorreu, disse à AFP Ronaldo Bento, presidente do sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, revelou à AFP que “a situação é muito difícil porque não conseguimos chegar até o local. O máximo que pudemos chegar foi a mais ou menos 500 metros. Não dá para avançar mais por causa do barro”.

“Não podemos dizer o que acontece”. Vários moradores de Bento Rodrigues permaneciam refugiados nos telhados de casas a espera de socorro.

Segundo Adão Severino, “várias pessoas estão desaparecidas sob a lama”, que cobriu 80% do distrito, ainda ameaçado por novos deslizamentos. “Sobrevoamos toda a região. Todos os caminhos foram obstruídos pela lama”, informou um oficial da polícia mineira.

Danos ambientais
O sindicalista Ronaldo Bento disse que a área de uma das barragens equivale a 10 campos de futebol e recebia “rejeitos de mineral, barro tóxico que contamina o meio ambiente”.

A Samarco, que pertence à Vale e a australiana BHP Billiton, é a responsável pela exploração da unidade.

“Mobilizamos todos, absolutamente todos os esforços necessários para priorizar a atenção e a integridade das pessoas que estavam trabalhando no local ou que residem próximo às barragens”, disse o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, em um vídeo publicado no Youtube.

“Também não estamos medindo esforços para conter os danos ambientais”.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, expressou sua consternação e disse que a Defesa Civil e outros órgãos “estão fazendo todos os esforços para prestar os primeiros socorros e toda a atenção necessária à população do distrito”. (afp.com)

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