Males que vêm por bem

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)
CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)
CARLOS ROSADO DE CARVALHO
Economista e Docente universitário
(Foto: D.R.)

Na semana passada, dediquei o 100 makas à suspensão da venda de cédulas de dólar a Angola. Volto hoje ao tema para dizer que não me preocupa muito.

Nunca percebi por que se movimentam tantas notas de dólar em Angola — as importações das ‘verdinhas’ terão atingido 6 mil milhões anuais.

Ou por outra, percebo. Uma parcela importante das movimentações de dólares estará relacionada com a ‘lavagem’ de dinheiro e o financiamento do terrorismo. De outra forma, essas operações podiam muito bem ser feitas através de transferências bancárias quer nacionais quer internacionais.

Naturalmente que nem toda a gente que movimenta dólares desenvolve actividades criminosas. Estou a lembrar-me em particular dos angolanos que viajam para o estrangeiro e não têm cartões internacionais de débito ou crédito nem conta nos países de destino.

A única solução é levar notas de dólar ou outra divisa. Se os bancos não tiverem ‘verdinhas’, os viajantes para o exterior não terão outro remédio senão recorrer às kinguilas onde pagam os olhos da cara. E a situação vai piorar.

O mercado informal vive das cédulas. Quando a oferta de dólares físicos diminui, é certo e sabido que a moeda norte-americana fica mais cara. Portanto, a subida do dólar no mercado informal deverá ser uma das consequências da suspensão da venda de cédulas a Angola a partir de 30 de Setembro.  (expansao.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA