Ken Saro-Wiwa foi executado há 20 anos na Nigéria

(DPA)
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Na madrugada de 10 de Novembro de 1995, o escritor nigeriano Ken Saro-Wiwa e oito activistas cívicos foram enforcados. Protestavam de forma não-violenta contra a poluição causada pelas petrolíferas no delta do rio Níger.

“O mundo viu como o povo Ogoni se revoltou. Viu que o Governo nos engana e que a Shell está a destruir-nos”, disse o activista Ken Saro-Wiwa na sua última mensagem. “Não vamos lutar com manchetes, a nossa luta é baseada na compreensão e na paz. Não deverá ser derramado sangue.”

Ken Saro-Wiwa, antigo funcionário do Governo e também produtor de televisão, pertencia ao grupo étnico Ogoni, do delta do rio Níger, tal como os seus oito companheiros de luta enforcados. Lutavam pelos direitos deste povo e protestavam de forma não-violenta contra a poluição causada pelas petrolíferas.

O escritor de 54 anos e os oito activistas de Ogoni foram condenados a 31 de outubro de 1995 por um tribunal militar nomeado pelo regime, acusados de terem incitado ao assassinato de quatro anciãos.

Foram condenados apesar dos múltiplos protestos internacionais e da diplomacia silenciosa de organizações internacionais, incluindo a União Europeia (UE). Segundo testemunhas, Saro-Wiwa cantou o hino do seu povo quando foi levado para a forca.

A guerra das petrolíferas

Ken Saro-Wiwa liderava o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP), que denunciou a “guerra ecológica das multinacionais petrolíferas”, liderada pela Shell, no delta do Níger. Uma luta que lhe valeu a atribuição do Prémio Nobel Alternativo, em 1994.

Em 1958, as petrolíferas começaram a transformar as terras férteis de Ogoni – que segundo Saro-Wiwa eram um “paraíso” – numa paisagem lunar negra. As operações de produção de petróleo contaminaram o solo. E a exploração irresponsável trouxe aos camponeses pobreza e doenças.

O MOSOP exigiu que as áreas danificadas fossem reabilitadas e que a população também partilhasse os lucros do petróleo. Lucros que até hoje constituem cerca de 90% das receitas do Governo, através das quais vários regimes militares e elites corruptas financiam as suas vidas luxuosas.

Indemnizações da Shell

A 4 de Janeiro de 1993, 300 mil pessoas manifestaram-se para exigir o pagamento de indemnizações e a reparação de danos ambientais. O regime do ditador Sani Abacha reagiu com violência aos protestos e também ocupou a região dos Ogoni.

Dois anos mais tarde, Ken Saro-Wiwa e oito dos seus companheiros de luta seriam enforcados. Só 15 anos depois destas mortes a Shell pagou uma indemnização de 15,5 milhões de dólares aos familiares do escritor e dos activistas. Um acordo extrajudicial para evitar uma acção por violações dos direitos humanos.

Segundo a ONU, ainda serão precisos pelo menos 30 anos para superar os danos ambientais no delta do Níger. (dw.de)

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