Incerteza política crescente abala mercados financeiros de Portugal

Líder do Partido Socialista português, Antonio Costa, discursa no Parlamento do país em Lisboa. 23/10/2015 (REUTERS/Rafael Marchante)
Líder do Partido Socialista português, Antonio Costa, discursa no Parlamento do país em Lisboa. 23/10/2015 (REUTERS/Rafael Marchante)
Líder do Partido Socialista português, António Costa, discursa no Parlamento do país em Lisboa. 23/10/2015 (REUTERS/Rafael Marchante)

Os partidos de extrema esquerda de Portugal estão prestes a derrubar o governo de centro-direita nesta semana e apoiar um gabinete socialista, mas sem garantia de apoio para medidas orçamentarias a incerteza política abalou os mercados financeiros nesta segunda-feira.

A coligação do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi a primeira colocada na eleição do mês passado, mas perdeu a maioria no Parlamento, já que muitos eleitores rejeitaram a austeridade que ele impôs em troca de um resgate financeiro internacional.

O rendimento padrão dos títulos de Portugal com vencimento em 10 anos disparou 20 pontos-base nesta segunda-feira e chegou a 2,87 por cento, seu valor mais alto desde Julho, prenunciando maiores custos para os empréstimos depois que o Partido Comunista anunciou seu apoio ao novo governo na última sexta-feira. Também nesta segunda o mercado de acções em Lisboa caía maus de 3 por cento.

“O cenário de um governo de esquerda e a saída da centro-direita está a ponto de se tornar realidade, o que os mercados obviamente não gostam”, disse João Lampreia, analista do Banco BiG de Lisboa.

Em uma votação do programa de governo que provavelmente irá acontecer na terça-feira, as legendas esquerdistas devem usar sua vantagem parlamentar para depor o gabinete minoritário.

O líder socialista António Costa declarou nesta segunda-feira que os acordos firmados com os comunistas, o Bloco de Esquerda e os Verdes “garantem a formação e a aprovação parlamentar de um governo socialista” que irá respeitar os compromissos europeus de Portugal.

Os acordos significam que “estão dadas as condições para a estabilidade enquanto durar a legislatura, assim como as condições para governar com apreciação conjunta de instrumentos fundamentais de governação, nomeadamente orçamentos estatais”, afirmou.

Até agora, entretanto, os parceiros da esquerda só prometeram apoio parlamentar, sem entrar no governo. Eles rejeitam algumas reformas impostas pelo pacote de resgate do qual Portugal se desligou no ano passado.

A saída da centro-direita pró-austeridade e a possibilidade de um governo esquerdista podem minar a tímida recuperação econômica e as finanças públicas em ritmo de melhora de Portugal se houver aumento nos gastos, apesar do comprometimento dos socialistas com o respeito à disciplina orçamentaria. (reuters.com)

por Andrei Khalip

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