“Gostava de ver o famoso acordo” entre PS, Bloco e PCP

Pinto Balsemão (Lusa)
Pinto Balsemão (Lusa)
Pinto Balsemão (Lusa)

O antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão disse hoje que gostaria de saber “se já houve reuniões a três” entre PS, Bloco de Esquerda e PCP sobre o “famoso acordo” de governação de esquerda, bem como os termos do mesmo.

O presidente do Grupo Imprensa considerou ainda, em declarações à agência Lusa em Madrid, que o PCP e o Bloco de Esquerda devem “deixar claro” num eventual acordo de governo com o PS se mantêm “a oposição e a relutância” à União Europeia e ao euro.

“Acho que as forças políticas têm todo o direito de ser a favor ou contra a Europa, mas isso tem é de ficar claro num programa de Governo. Partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda nunca esconderam a sua relutância, para não dizer as suas oposições à União Europeia como ela é e ao euro. Isso não é um segredo que agora apareceu. O que me parece é que isso tem de ficar claro”, disse Francisco Pinto Balsemão.

O empresário e antigo político português (fundador do PPD/PSD) falava em Madrid após ter recebido o Prémio Otto de Habsburgo, concedido anualmente pelo Comité Espanhol para a União Pan Europeia a “personalidades europeias que tenham contribuído para o processo de construção europeu”.

Balsemão, primeiro-ministro em Portugal no período pré-adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), entre 1981 e 1983, considerou que “se vai haver um governo constituído ou apoiado por esses dois partidos e juntos com o Partido Socialista, [tem de ficar claro] qual é a política europeia que defendem”.

Questionado sobre se a solução de coligação à esquerda proposta pelo líder do Partido Socialista, António Costa, ao PCP e Bloco de Esquerda, Pinto Balsemão preferiu pôr a tónica em saber qual o conteúdo do acordo político entre os três partidos.

A 20 de dezembro, após uma reunião com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, António Costa declarou que já estavam “criadas as condições para que possa existir uma solução que beneficie de apoio maioritário na Assembleia da República”, mas ainda não se conhecem os termos do eventual acordo.

“Não quero estar a julgar, mas gostava primeiro de ver o famoso papel, o famoso acordo e saber em que bases é que há uma proposta de governo – que tem de ter bases muito concretas. Gostava de saber se já houve reuniões a três e se já há alguma coisa assinada e em que termos. Sem isso não nos podemos pronunciar”, salientou.

Para Balsemão, a situação atual — o recém empossado executivo cair no parlamento após a aprovação de moções de rejeição ao programa do governo por parte do PS, BE e PCP, abrindo caminho a um governo de coligação de esquerda – “é democrática”, já que “houve eleições e há uma divisão de lugares no parlamento que permite várias combinações”.

“Temos é de saber com o que é que contamos”, reiterou. (noticiasaominuto.com)

por Lusa

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA