Estratégia: Diversificação da economia

J. CARLOS SILVA Economista (Foto: D.R.)
J. CARLOS SILVA Economista (Foto: D.R.)
J. CARLOS SILVA
Economista
(Foto: D.R.)

A expressão diversificação da economia nacional tornou-se omnipresente e a sua necessidade reclama, com algum êxito, o estatuto privilegiado de assunto de consenso nacional, apesar de não haver uma posição única quanto ao processo a ser seguido. Dado certo, é o facto de que todos percebemos a necessidade drástica de se libertar o país da petro-dependência, cujo ciclo começou ainda no limiar da independência nacional, há 40 anos.

Como muitos dos países ditos do terceiro mundo, a histó- ria económica de Angola sempre apresentou uma estrutura mono-produtiva em termos de produto interno bruto (PIB), não obstante os seus ciclos intercalarem à importância dos produtos de eleição, fundamentalmente, de acordo com os interesses de exportação da antiga metrópole colonial. Com o alcance da independência nacional em 1975, terminou o ciclo do café, justificado principalmente pela queda de produção decorrente da guerra. Pouco tempo depois, começava o ciclo do petróleo.

Porém, ao contrário do que acontecera com o café, os diamantes, a borracha e assim regressivamente, com outros tipos de mercadoria que representaram o top das produções do país em períodos mais ou menos longos, o petróleo enquanto ‘commodity’ básica da pauta angolana de exportações, viu a sua longevidade facilitada por dois factores fundamentais, nomeadamente: por um lado, impraticabilidade da actividade agrícola, desde logo, condicionada pela insegurança, e por outro, alta dos preços do crude no mercado internacional, facilitadora e potenciadora de grandes investimentos no sector, determinando consideravelmente, a ascensão macrocefálica da modesta posição que a produção nacional detinha em 1973 no conjunto das exportações, para a posição extremamente monopolista que ocupa no momento.

Nota-se que, apesar da conquista da independência política, a dinâmica dos ciclos económicos em Angola é determinada fundamentalmente pelas externalidades, de onde se infere que a independência económica é apenas um propósito a atingir, sendo certo que as políticas económicas, neste sentido, deverão, obviamente, inclinar-se para uma diversificação sectorial que elimine, de forma progressiva, o espectro da dependência mono-produtiva e mono-exportadora. Alcançada a estabilidade política e a julgar pelos passos que o país ensaia, a componente agro-pecuária parece merecer a primazia de entre os sectores eleitos.

Isso explicará que a diversificação privilegie o investimento rural, alavancado por variáveis como a diversificação da produção rural, a melhoria da qualidade de vida nessas regiões, o desenvolvimento das competências das suas populações e a valorização do seu potencial de desenvolvimento.

Os objectivos estratégicos apontados deverão identificar-se com o reforço das vantagens competitivas estimulando o investimento funcional nos centros secundários de desenvolvimento, a consolidação da oferta turística e habitação rural, a promoção da competitividade, o emprego e a valorização da base económica local, a elevação do nível de qualificação da população, a melhoria das suas competências sociais e produtivas, a promoção do desenvolvimento equilibrado do território e a protecção e valorização ambiental.

Trata-se de uma estratégia que maximiza os pontos fortes do país rural, balizados na existência de um património natural e paisagístico rico e diversificado que inclui variedades vegetais com elevado valor cultural e económico, baixos níveis de poluição do solo, água e ar, a relevância do papel das explorações agrícolas na preservação e ocupação do espaço e também a uma actividade agrícola, como função basilar para a manutenção e conservação da paisagem humanizada. Esses aspectos são reforçados pelas infra-estruturas rodoviárias, comerciais e de telecomunicações que permitem atenuar as distâncias físicas e tornarem os factores, localização e distribuição, menos penalizados. (jornaldeeconomia.ao)

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