Em homenagem a Robert Capa: O jornalismo “embedded” vai dando lugar ao jornalismo de vassalagem e manipulador

José Valentim Peixe (Foto: José Valentim Peixe)
José Valentim Peixe (Foto: José Valentim Peixe)
José Valentim Peixe (Foto: José Valentim Peixe)

Aquando da Guerra do Golfo (“A Guerra do Petróleo”- segundo Noam Chomsky – 1988), a grande novidade que chamou a atenção da opinião pública internacional foi a actuação dos chamados jornalistas “embedded” (infiltrados na frente de batalha). Hoje, perante a ameaça de um terrorismo globalizado, os profissionais da comunicação não sabem onde se encontram as trincheiras.

O facto de os profissionais da imprensa, em 1988, se deslocarem ao lado das tropas americanas, que iam conquistando o território iraquiano e fazendo directos com os militares nas trincheiras, proporcionou ao público uma maior proximidade dos acontecimentos, mas não deixou de levantar muitas questões éticas e deontológicas. E uma delas foi: até que ponto os jornalistas profissionais devem aceitar o convite para estar na frente de batalha?

Mas é preciso ter em conta que as origens do Jornalismo Embedded remontam à Guerra da Criméia (1853-1856), onde os ingleses, franceses, sardos e otomanos contra o Império Russo.

Já nessa altura o repórter irlandês do “Times”, William Howard Russel, fazia questão de se deslocar na frente de batalha junto à Brigada Ligeira britânica, sofrendo muitas pressões por parte das autoridades civis e militares da Inglaterra.

Robert Capa (Foto: Revista “Time”)
Robert Capa (Foto: Revista “Time”)

Na I e II Guerras Mundiais houve muitos repórteres que estiveram ao lado das tropas aliadas. Na Guerra Civil de Espanha e no Vietname, o famoso repórter fotográfico húngaro Robert Capa esteve com os militares nas trincheiras. Na frente de combate. Aliás, Capa acabou por morrer no Vietname, no dia 25 de Maio de 1954, com apenas 40 anos de idade e em pleno teatro de guerra.

Mas a Guerra que vivemos actualmente é contra um inimigo que está ramificado por todo o Mundo. Existem células ‘jihadistas’ radicais espalhadas por todo o Mundo Ocidental. E o que os aliados combatem neste momento é o Terrorismo Globalizado. Onde as tecnologias da Informação e as “Redes Sociais” marcam as agendas militares e políticas.

Nesse sentido, os oficiais ocidentais que estão no mar Mediterrâneo, na Turquia, no Chipre ou no Curdistão, pedem aos jornalistas para não relatarem tudo o que vêem no terreno. Ou seja, estamos perante uma nova realidade informativa: o Jornalismo de Vassalagem e Manipulador. Repórteres que aceitam os açaimes militares. E tudo isto com medo de passar informações importantes para o Estado Islâmico (EI).

Só que, do outro lado, o Estado Islâmico (EI) também utiliza de forma profissional todos os meios sofisticados de informação para contaminar a opinião pública internacional, conseguindo que muitos jovens ocidentais se ofereçam como voluntários para as fileiras dos ‘jihadistas’ fanáticos.

Uma coisa posso afiançar-vos é que esta Guerra contra o terrorismo globalizado, que agora se iniciou, com os bombardeamentos russos e franceses, na Síria e no Iraque, vai marcar todos os paradigmas comunicacionais que estão em vigor. O próprio jornalismo de guerra vai sofrer alterações profundas, face à actuação dos próprios militares e das novas estratégias utilizadas no teatro de guerra. Os atentados de Paris, do passado 13 de Novembro, também vão estabelecer novos parâmetros comunicacionais entre os profissionais da comunicação, os militares e os grupos de terroristas. É que estamos perante um cenário de muita propaganda e ao mesmo tempo de pânico.

O que faz falta neste momento são repórteres com o perfil de Robert Capa. Destemidos e com vontade de estar na frente de combate de modo a relatar a verdade que se está a passar na Síria e no Iraque.

por José Valentim Peixe

 

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