Conferência Internacional do Diamante em Windhoeck: De Beers e líderes mundiais defendem novas regras para debelar a crise

Hotel Safari Court em Windhoeck, Namíbia. (Foto: D.R.)
Hotel Safari Court em Windhoeck, Namíbia. (Foto: D.R.)
Hotel Safari Court em Windhoeck, Namíbia.
(Foto: D.R.)

Um vasto conjunto de especialistas na área dos diamantes reuniu-se na capital da Namíbia, Windhoek. A segunda Conferência Internacional do Diamante (também conhecida como Omugongo), juntou este ano mais de 150 entidades de todo o mundo, desde ministros, especialistas da indústria, académicos, líderes empresariais, fabricantes e a comunicação social. Objetivo comum: discutir desafios da beneficiação de diamantes na África do Sul: como tornar esta indústria viável e sustentável.

A conferência de dois dias realizou-se, com grande sucesso, no Safari Hotel, na capital Windhoek, nos dias 23 e 24 de novembro. Durante a conferência, o Museu Nacional das Ciências da Terra do Ministério das Minas e Energia exibiu algumas prestigiadas peças da Coleção de Design de Diamantes Shining Lights, algumas trabalhadas por designers namibianos premiados. Na exposição, Simeon Niilenge Negumbo, Secretário Permanente do Ministério das Minas e Energia, apresentou o Livros dos Diamantes da Namíbia “A Beautiful Journey”.

No seu discurso, subordinado ao tema “Beneficiação de Diamantes: Pensar global. Pensar local.” Stephen Lussier, CEO da Forevermark, Grupo De Beers, afirmou: “Sem dúvida, tem sido um tempo verdadeiramente difícil para o setor da beneficiação, mas deixem-me começar por sublinhar que reconhecemos isto incondicionalmente. Compreendemos bem e apreciamos as ambições e os desejos dos nossos parceiros governamentais no que respeita à beneficiação e estamos empenhados em cumprir o nosso papel para ajudar a alcançar estas ambições. O sucesso da Namíbia é o nosso sucesso; por isso é que atingir as metas da beneficiação sustentável é um objetivo fundamental tão prioritário para nós como para o Governo. Não temos também qualquer ilusão quanto à necessidade de os nossos parceiros produtores obterem um retorno do seu capital para serem sustentáveis.”

Continuou: “Acredito que as fortunas do setor da beneficiação namibiano seriam melhor servidas por uma abordagem que pode parecer simples, mas de facto é extremamente complexa: promover o aumento do valor dos diamantes polidos. Este argumento foi recentemente apresentado com mais eloquência por um dos principais representantes do setor bancário dos diamantes, Erik Jens do ABN AMRO. Erik realçou que todo o setor intermédio beneficiaria mais se procurasse saber como aumentar os preços do produto final, em vez de fazer lóbi para comprimir os preços da matéria-prima. Seguramente que isto ajudaria também as perspetivas de quem opera em centros de beneficiação, mas é mais fácil dizê-lo do que fazê-lo. ”

O especialista do setor, Chaim Even-Zohar, que moderou os painéis da conferência, referiu que, apesar da retração, a Namíbia continua numa posição forte. Defendeu que o país produz alguns dos diamantes de melhor qualidade do mundo, que frequentemente vende por preços elevados.

A Namíbia é um líder mundial na mineração de diamantes marinhos, estimando-se a presença de 1,5 mil milhões de quilates no seu leito marinho. O governo namibiano e o Grupo De Beers possuem a mesma participação acionista (50% cada um) na Namibia Diamond Trading Company, com a De Beers a apoiar a indústria nacional de corte e polimento.

“Tive o privilégio de vir para a Namíbia após as primeiras eleições da Independência, há mais de 25 anos, e fico sempre impressionado não só pelo espírito de permanente amizade, mas também pelo sentido de liderança resoluta e responsável, visível na política e na sociedade em geral, assim como na gestão do setor dos diamantes em particular. Neste país não existe a “maldição dos recursos naturais”; e uma atuação prudente do Governo ao longo de duas décadas proporcionou benefícios cada vez mais significativos retirados do património nacional de diamantes” referiu Maurice Tempelsman, Presidente do conselho de administração da Lazare Kaplan International Inc. (LKI) “Parte da liderança assenta naturalmente no reconhecimento de que a história não oferece uma trajetória fiável – o sucesso do passado não garante o progresso futuro”.

De seguida pediu mudanças estruturais: “…para lá das tempestades económicas do presente, que julgo todos podermos presumir darão lugar, a certa altura, a um tempo mais ameno, acredito que o chão está a mudar sob os nossos pés: na realidade, já mudou, pois os alicerces em que até agora nos apoiávamos não só deixaram de o ser, como representam perigos ativos. E é nestas mudanças estruturais que – com o vosso perdão pela minha franqueza – gostaria de fazer incidir as minhas últimas palavras”. “E aqui devo registar a minha sincera preocupação com alguns desenvolvimentos recentes: a “manipulação” do sistema de certificação dos diamantes polidos, que corrói um pilar essencial da confiança do consumidor; a “falsificação” fraudulenta de diamantes polidos com produtos sintéticos; e a relativa ausência, apesar de todos os esforços positivos investidos no Processo Kimberley, de uma cadeia de proteção “da mina até à mão” suficiente para satisfazer os compradores – particularmente aqueles com quem a Namíbia, e a maior parte de nós, deveríamos estar preocupados, nomeadamente compradores de jóias de alta gama em que os diamantes ocupam um lugar central.”

“Temos de pensar numa agência de segurança como pilar essencial da saúde da nossa indústria, com poder e orientada por uma finalidade que não nos deixe qualquer margem para complacências”. “O importante é não imputar culpas, mas observar que novas estruturas, novas relações, novas formas de pensar e trabalhar, têm de ser criadas numa indústria que pode ter os olhos postos no futuro mas que continua demasiado presa pela mão inerte do passado”. Concluiu então: “Acredito que esta seja uma questão não só de inevitabilidade política, mas de necessidade intelectual e estratégica. Há recursos que os poderes soberanos conseguem suportar e a indústria não; nem nós, no setor privado, pretendemos ter todas as respostas, ou que os assuntos sejam deixados apenas para nós próprios.”

Burhan Seber, Cônsul Honorário da República da Turquia, Diretor Geral da Hard Stone Processing (Pty) Ltd., antigo Presidente da DIAMAN, destacou a angústia vivida pelos fabricantes: “A indústria está em crise. Os fabricantes têm-se defrontado com desafios incapacitantes desde 2011. Estes e outros problemas conduziram todo o setor dos diamantes a um estado de tensão crítica e a um ponto de inflexão.”

Continuou: “Restam poucas dúvidas de que o modelo atual falhou. A ‘beneficiação’ acabou?” “Afastemos o lucro, e não pode haver beneficiação. Nos tempos difíceis, em que as empresas se agrupam e consolidam na sua base de poder, os seus investimentos no estrangeiro tendem a ser os primeiros a ser sacrificados. A beneficiação não é um ato de caridade, mas um ato de partilha. “

O Comissário para os Diamantes da Namíbia, Kennedy Hamutenya, exprimiu o sentimento nacional sobre a Beneficiação: “Queremos fazer parte do negócio a jusante, queremos saber o que acontece ao valor dos nossos diamantes.”

“O custo de oportunidade para nós é que o polimento e o corte de diamantes passem a ser feitos noutro lugar, perdendo uma grande fatia de participação no circuito”, “Precisamos de grande parte dos nossos diamantes namibianos para trabalhar também para nós, para criar oportunidades de emprego, para transferir competências, para transferir tecnologia, para trazer para a Namíbia mais valor acrescentado, receitas de divisas estrangeiras…”

A conferência terminou com o prestigiado jantar de Gala, oferecido por Sua Excelência Dra. Saara Kugongelwa Amadhila, Primeira-Ministra da República da Namíbia, que acolheu mais de 300 pessoas nos Jardins do Parlamento na capital.

LucyMay Lubrani, Estrategista e Gestora de Desenvolvimento de Negócios na Ogilvy & Mather Namibia, referiu: “Globalmente a conferência foi um sucesso, que mostra como a Namíbia pode organizar convenções de nível internacional. Em nome do Comité Organizador, gostaria de agradecer mais uma vez à Polícia da Namíbia e à NDTC, pela forma bem-sucedida como garantiram a segurança da conferência, permitindo que todas as partes interessadas se concentrassem, com toda a tranquilidade, nos pontos essenciais a tratar”.  (African Press Organization) 

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