Chade: Ministro da Saúde considera positiva participação de Angola na Reunião da OMS

Ministro da Saúde, José Van-Dúnem (Foto: Angop/Arquivo)
 Ministro da Saúde, José Van-Dúnem (Foto: Angop/Arquivo)

Ministro da Saúde, José Van-Dúnem (Foto: Angop/Arquivo)

A participação de Angola no 65º Comité Regional da OMS para África foi positiva, porque deu para partilhar experiências e sentir o que o continente está a ser capaz de fazer para melhorar a saúde dos africanos.

A afirmação é do ministro da Saúde, José Van-Dúnem, quando procedia ao balanço da participação de Angola no encontro que decorre desde o dia 23 até 27 deste mês, no Chade.

Em entrevista à Angop, o ministro disse ser sempre uma oportunidade partilhar experiências e sentir o ponto de situação daquilo que o continente está a ser capaz de fazer para melhorar a vida dos africanos.

“Ao nível da organização regional tem-se agora uma nova directora regional, há uma certa mudança nos quadros da direcção e há algumas ideias novas, de modo que os países estão com uma certa expectativa ao ver o trabalho da nova equipa que está a dirigir a Organização Africana”.

Acrescentou que Angola colheu experiências participando em várias outras sessões, onde se pode partilhar, ver o que os outros fizeram e o que se poder fazer para melhorar a afirmação da disponibilidade da organização para apoiar os países africanos , entre eles Angola, para melhorar os indicadores com base nas novas estratégias e poder dar um apoio mais sustentável.

Segundo o ministro, a nova estratégia da região assenta no facto de que se deverão reduzir os espectros das intervenções para se poder concentrar mais nos cinco pilares, que são a resposta às doenças transmissiveis e às doenças crónicas, apoio na formação e gestão dos recursos humanos, bem como preparação e resposta para as emergências.

A nível dos recursos humanos, o titular da pasta da Saúde sublinhou que Angola não tem o problema que a grande maioria do continente tem, que é a fuga de quadros para outros países, apesar de o país ter vivido esta situação no passado.

O problema de Angola tem a ver com a fixação dos profissionais lá onde eles são mais precisos e, por outro lado, também com a capacidade de adaptação de todos os profissionais.

Para se tirar o máximo partido dos recursos humanos, disse, é importante que se criem condições de trabalho adequadas, que têm a ver com o ambiente de trabalho, com a perspectiva de promoção e de diferenciação na carreira e que os profissionais se sintam que estão a ser úteis, mas também estão a beneficiar por estarem onde estão.

O governante reconheceu que o sector da Saúde tem um deficit muito grande de quadros, por isso, o país vive ainda muito da assistência técnica.

“O país ainda tem dificuldades a nível dos recursos humanos e temos também dificuldades em poder pagar e absorver a totalidade dos médicos que já temos, mas estamos a trabalhar nisto”, disse, acrescentando que há esperanças de que até o fim do ano esta dificuldade seja ultrapassada.

De acordo com José Van-Dúnem, com base na municipalização dos serviços de saúde, estamos na vanguarda, porque uma das estratégias actuais é oferecer serviços mais próximos das populações e centrados nas comunidades. Há necessidade de reforçar o que se está a fazer a nível da municipalização, com a ampliação dos recursos humanos que vêm do exterior e também melhorar o sistema de informação, para que se possa ter um tipo de informação que reflicta mais aquilo que se faz no país.

Para o titular da pasta da Saúde, a situação está a mudar, apesar de em Luanda e nas outras capitais ainda se sentir menos por ser uma fase de transição, pois as pessoas habituaram-se a ir para os grandes hospitais e, em algumas instituições, a realidade periferica ainda não tem um horário que responda as necessidades e expectativas que se quer.

“Estas são afinações que temos que continuar a realizar para melhorar a oferta e atingirmos o que nos propusemos a oferecer, que são serviços de qualidade e o mais próximo possível das populações, o que significa ter mais capacidade de pagar e de negociar os horários suplementares”, exortou.

Quanto a situação epidemiologia do país, o ministro falou das estratégias em curso para erradicação da malária, visto ser a primeira causa de morte na maioria parte das províncias do país, fazendo com que na fronteira com a vizinha Namíbia se tenha uma situação de quase esterilidade, de modo a que Angola não seja o veículo transmissor para o outro lado.

Como medidas conjuntas que estão a ser realizadas, aponta-se o grande esforço nacional para a redução do vector do paludismo através do uso do mosquiteiro impregnado com insecticida, pulverização intra e extra domiciliar e a utilização de biolarvicida nos charcos e zonas pantanosas.

Acrescentou que estas intervenções têm de assentar fundamentalmente na condição das pessoas terem o conhecimento de que é preciso reduzir muito o peso do paludismo se de uma maneira sistemática e sustenta lutarem contra o mosquito

Por exemplo, disse que nesta altura é fácil fazer o diagnóstico para que todas as febres não sejam tratadas como paludismo, pois com testes rápidos consegue-se fazer o diagnóstico e tratar os casos de maneira precoce.

Para si, a situação da malária no país está controlada, porque a luta contra o paludismo tem uma grande componente na saúde das pessoas, mas também no saneamento do meio e de oferta de água potável oferecida para todos e, nisto, os indicadores de base são muito importantes.

“Para a nossa satisfação, temos a possibilidade de reduzir a população do mosquito, garantindo o diagnóstico precoce, a profilaxia das grávidas contra o paludismo e o tratamento combinado a base Artimisina. Estamos a ter resultados extraordinários, pois mais de cinquenta porcento de mulheres deixaram de morrer de paludismo há dois ou três anos”, frisou. (portalangop.co.ao)

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