Carta de Nuno Dala a Luaty Beirão demonstra suspeição de traição de Domingos da Cruz

Julgamento dos 17 jovens detidos acusados de planear rebelião (Foto: Pedro Parente)
Julgamento dos 17 jovens detidos acusados de planear rebelião (Foto: Pedro Parente)
Julgamento dos 17 jovens detidos acusados de planear rebelião (Foto: Pedro Parente)

Uma carta do réu Nuno Álvaro Dala, um dos 17 arguidos acusados de Actos Preparatórios de Rebelião, dirigida ao co-réu Luaty Beirão e aos outros que se encontravam em Calomboloca, foi apresentada hoje, quarta-feira, em Luanda, como uma das provas da acusação.

A missiva foi escrita no estabelecimento prisional de Caquila e demonstra as contradições no seio do grupo, assim como as suspeitas de traição por parte de Domingos da Cruz, após a detenção pelas autoridades.

Nesta carta, apreendida pelas autoridades e apresentada em juízo ao réu para o seu reconhecimento, Nuno Dala refere-se à luta e seus companheiros e questiona-se de como Domingos da Cruz pretendia fugir do país, uma vez que foi detido mais tarde na região de Santa-Clara (Cunene), deixando em campo os seus companheiros de batalha.

Neste contexto, de acordo ainda com Nuno Dala, este não tinha espírito de luta, caracterizando-o como cobarde e egoísta.

Questiona-se se o mesmo já não saberia, com antecedência, das movimentações das autoridades para a detenção do grupo, pelo facto também de ter sido detido com bilhetes de passagem.

Na carta apresentada na sessão que decorre nas instalações da 14ª secção do Tribunal Provincial de Luanda, Nuno Dala acrescenta que esta não era apenas preocupação sua, mas de outros que se encontravam consigo, concretamente os arguidos Banza Hanza, Nicolas e Osvaldo.

Em relação a este facto, Nuno Dala referiu em Tribunal não ter nada a declarar e não mais respondeu as questões que seguiram da Magistrada do Ministério Público.

Este facto, que foi levantado já no período da tarde, acabou por ser o de maior relevo desta sessão, uma vez que, embora seja constituinte do advogado Walter Tondela, o causídico David Mendes acabou por entrar em choque com a representante do Ministério Público, exigindo um Mandado de Apreensão da mesma, que não constava do processo.

Ante isso, apresentou um requerimento para a anulação do mesmo rol de provas, porém indeferido pelo juiz, uma vez que este apenas representa os co-réus Nito Alves, Bingo Bingo, Rosa Conde e Laurinda Gouveia, tendo de seguida apresentado recurso da decisão do magistrado.

À saída do julgamento, os advogados de defesa remeteram-se ao silêncio.

O julgamento prossegue quinta-feira com o interrogatório ao réu Nuno Dala, o quarto a ser ouvido, após Nito Alves, Domingos da Cruz e Hitler Tchikunde. (portalangop.co.ao)

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