Cancelamento da viagem a Vietnã e Japão não é bem recebido por países asiáticos

(REUTERS/ Ueslei Marcelino)
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A Presidenta Dilma Rousseff cancelou as viagens oficiais ao Vietnã e ao Japão, que faria logo após participar da COP 21, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas que acontece em Paris.

Segundo a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto, motivo dos cancelamentos foi orçamentário. A partir do dia 1º de dezembro, o governo, por uma questão orçamentária, não poderá mais realizar novas despesas discricionárias, com exceção daquelas que são essenciais ao funcionamento do Estado e ao interesse público.

Para tentar reduzir os efeitos da medida, o governo publicou nesta segunda-feira (30) no Diário Oficial um decreto de contingenciamento de mais de R$ 10 bilhões do Orçamento da União e congelou também todos os gastos federais em dezembro.

Em entrevista exclusiva para a Rádio Sputnik, o Jornalista Mario Russo, opina que o contingenciamento poderia ter sido evitado se o Senado tivesse aprovado a nova meta fiscal, em pauta da última quarta-feira(25). A votação, entretanto, não aconteceu devido à prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, acusado de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. “O governo está realmente paralisado. Todas as despesas que não são obrigatórias estão suspensas. Isso ficou ainda mais complicado com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que era o líder do governo no Senado, e estava coordenando justamente essas votações.”

O jornalista explica que o Brasil está na chamada situação shutdown, que aconteceu nos Estados Unidos em 2013. Na ocasião, governo americano fechou diversas instituições como parques nacionais, museus, bibliotecas e até sites, em função do bloqueio de verbas. “É o chamado efeito shutdown, que é uma expressão em inglês utilizada para indicar paralisação do governo. Essa paralisação vale até que o Congresso aprove a nova meta do orçamento deste ano.”

Mario Russo acredita que, em termos diplomáticos, o cancelamento das viagens repercutiu de modo negativo nos países asiáticos. “Repercutiu mal. Embora não tenha havido uma nota oficial por parte dos dois países, no Japão e em Brasília o cancelamento foi muito mal visto, porque a Presidenta Dilma estava com uma agenda bastante ambiciosa nessa visita. O corpo diplomático japonês ficou muito frustrado, e lembrou que essa é a segunda vez que a Presidenta Dilma desiste na última hora de uma viagem ao país. Em 2013, a Presidenta também cancelou uma visita ao Japão poucos dias antes do embarque, devido àquela onda de protestos que tomavam conta do país. O Vietnã foi mais lacônico, mas fontes mostram que também a decepção foi muito grande.”

Segundo o Itamaraty, durante as viagens aos países asiáticos a Presidenta Dilma tinha a intenção de discutir trocas comerciais importantes que trariam mais investimentos para o Brasil, tais como a ampliação da exportação de carne processada ao Japão e Vietnã. Além disso, estavam previstos acordos nas áreas de educação, transporte marítimo, agricultura, cooperação técnico-científica, defesa e turismo.

O jornalista Mario Russo ressalta que, para o Japão, a agenda comercial era bem ambiciosa. Uma delegação de 30 investidores brasileiros iria participar de seminários empresariais no país. “É grave [o efeito] disso no comércio exterior brasileiro. O Japão hoje é o sexto maior parceiro econômico do Brasil. Em 2014, as trocas entre os dois países somaram R$ 12,6 bilhões. [Quanto ao] Vietnã, o Brasil tem considerado o país como um parceiro estratégico importante no sudeste asiático. Havia possibilidade de acordos comerciais, lembrando que o Vietnã faz parte da Associação das Nações do Sudeste Asiático. É um cancelamento importante, porque a Associação é um bloco formado por dez países, que em 2014 registrou uma troca comercial com o Brasil [no valor] de US$ 20 bilhões.”

O Palácio do Planalto lamentou o cancelamento das viagens, mas ressaltou que o país vive um momento bastante delicado, de modo a exigir a presença da Presidenta Dilma Rousseff para coordenar o trabalho de votação do orçamento. (sputniknews.com)

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