Boca de urna aponta vitória de Macri na Argentina

(AFP)
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O conservador Mauricio Macri foi eleito presidente da Argentina, segundo as ultimas sondagens divulgadas após o encerramento da votação, numa eleição em que enfrentou o candidato do governo Daniel Scioli e colocou fim a 12 anos de kirchnerismo.

Enquanto entre a equipe de Scioli reinava a cautela e eram aguardados os resultados oficiais, na sede do comité de campanha de Macri o clima era de euforia e certeza da vitória da aliança Cambiemos, formada com os radicais da UCR (social-democratas).

Enquanto quatro pesquisas de TV’s argentinas apontavam Macri como vencedor, a equipe de Daniel Scioli informou que irá aguardar os resultados oficiais para se pronunciar.

Mais de 32 milhões de eleitores foram convocados a votar nesta eleição histórica, que irá designar o sucessor de Cristina Kirchner.

“Devemos estar atentos unicamente aos interesses da pátria, aos interesses do nosso país”, publicou a presidente em sua conta no Twitter durante a votação.

A Câmara Nacional Eleitoral deve divulgar os primeiros resultados às 19h30 locais.

“Estamos felizes por termos participado de um dia histórico como este. A Argentina não será a mesma”, comemorou o líder do radicalismo Ernesto Sanz, durante os festejos no comité de Macri.

Se este último vencer, será a primeira vez que um líder de direita chegará ao poder por meio de eleições livres, sem o apoio de uma ditadura ou de fraudes.

Cristina Kirchner votou na região da Patagónia, berço de sua carreira política com seu falecido marido. “Hoje, vota-se em paz, num país com o desemprego em 5,9%”.

“Nunca houve 12 anos com a estabilidade económica e social que ofereceram estes governos”, afirmou, após votar em Río Gallegos, na província de Santa Cruz, que seu marido governou por três mandatos.

Seu governo deixa uma economia com sinais de crescimento fraco, de 2,2% no primeiro semestre, uma inflação superior a 20%, e reservas diminuídas no Banco Central.

O consumo se sustenta com programas de incentivo e ajustes salariais em negociações livres entre sindicatos e empresas (paritárias).

Os Kirchner reestatizaram empresas de serviços e nacionalizaram a do petróleo. Chegaram a um acordo com 93% dos credores da dívida em ‘default’ desde 2001. Mas com 7% dos credores, os fundos especulativos (abutres), enfrentam um duro litígio em Nova York.

Em 12 anos, foram criados 5 milhões de empregos, estimulou-se a ciência e a tecnologia, e milhares de pessoas recebem subsídios e aposentadoria especiais do governo.

“O futuro será como os argentinos quiserem, com memória e a certeza de que nada é para sempre”, disse a presidente.

– A mudança e a continuidade –

Defensor da livre empresa e formado em engenharia, Macri capitaliza o voto de rejeição ao kirchnerismo, e sua força eleitoral está nas grandes cidades do centro do país.

No primeiro turno, venceu o peronismo em seu reduto histórico, a província de Buenos Aires, governada por Scioli desde 2007.

Este último começou na política com o apoio do ex-presidente peronista de direita Carlos Menem (1989-1999), e depois tornou-se vice-presidente de Néstor Kirchner.

Em sua campanha, mostrou posturas diferentes. Antes do primeiro turno, foi conciliador, mas, ao se ver derrotado, lançou uma campanha agressiva, denunciando que Macri “representa a desvalorização que corrói os salários. É o demónio do capitalismo selvagem!”. (afp.com)

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