BFA garante 70% do lucro do grupo BPI

(Expansao)
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Para os lucros do BPI nos primeiros 9 meses do ano, para além do BFA, com 105,5 milhões de euros, a actividade doméstica contribuiu com 38,9 milhões, enquanto o moçambicano BCI juntou 8 milhões de euros.

O Banco de Fomento Angola (BFA) contribui com 105,5 milhões de euros (15,6 mil milhões Kz), que corresponde a uma apropriação de 50,1% do seu lucro individual, para o resultado líquido consolidado de 151 milhões de euros (22,3 mil milhões Kz) da ‘casa-mãe’, o BPI, entre Janeiro e Setembro deste ano, o que corresponde a perto de 70%.

De acordo com o comunicado do de divulgação dos resultados do BPI, para os lucros da instituição, nos primeiros nove meses a actividade doméstica contribuiu com 38,9 milhões de euros (pouco mais de 25%), enquanto o moçambicano Banco Comercial e de Investimentos, outra subsidiária do grupo, ‘juntou’ apenas 8,0 milhões de euros (cerca de 5%).

O contributo do BFA para o lucro do BPI representa um aumento de 34% face ao período homólogo do ano passado, em que atingiu os 78,5 milhões de euros (11,6 mil milhões Kz). No global, o lucro líquido na actividade internacional ascendeu a 112,0 milhões de euros (16,5 mil milhões Kz) de Janeiro a Setembro de 2015, mais 34,7% face aos 83,2 milhões de euros (12,3 mil milhões Kz) obtidos em 2014.

No período em análise, o BFA obteve, nas suas contas individuais, uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 34,6%, contra 17,7% do BCI. Entretanto, os recursos totais de clientes captados pelo banco angolano, quando expressos em euros (moeda de consolidação), registam um ligeiro decréscimo homólogo de 0.1%, situando-se em 6,5 mil milhões de euros (cerca de 962,6 mil milhões) em Setembro último.

Entretanto, a evolução homóloga dos depósitos expressos em euros beneficia da valorização em 13% do dólar em relação à moeda europeia, mas é penalizada pela desvalorização em 18% do kwanza em relação ao euro, indica o documento.

Quando medidos nas respectivas moedas de captação, acrescenta, os recursos de clientes captados em USD diminuem 18% em termos homólogos e os recursos em kwanzas, que representam cerca de 2/3 do total, aumentam 28%.

No terceiro trimestre do ano em curso, os depósitos expressos em euros registam uma redução de 2,0% em relação a Junho, explicada essencialmente pela desvalorização de 11% do kwanza em relação ao euro. Por sua vez, a carteira de crédito a clientes do BFA, expressa em euros, caiu 23,0%, de 1,8 mil milhões de euros (266,5 mil milhões Kz) em Setembro de 2014, para 1,4 mil milhões de euros (207,3 mil milhões Kz) em 2015.

Quando medido nas respectivas moedas de concessão, o crédito em USD, que corresponde a cerca de metade do total, diminuiu 5% em termos homólogos e o crédito em kwanza diminui 24%.

De Julho a Setembro, a carteira de crédito a clientes, expressa na moeda de consolidação, cresceu 4% em relação a Junho de 2015, apesar do efeito negativo da desvalorização do kwanza face ao euro (-11%). A carteira de títulos do BFA ascendia a 3 mil milhões de euros (444,1 mil milhões Kz) no final de Setembro, ou seja, 40% do activo, sendo que a carteira de títulos de curto prazo, constituída por Bilhetes do Tesouro, ascendia a 769 milhões de euros (mais 111 milhões de euros em relação a Setembro de 2014), e a carteira de Obrigações do Tesouro ascendia a 2,2 mil milhões de euros (50 milhões de euros a mais que no mesmo mês do ano passado).

Rede de balcões cresce mais de 5% No comunicado, o BPI avança que o BFA tem vindo a desenvolver um programa de expansão que inclui a abertura de agências, o significativo reforço do quadro de pessoal do banco, a introdução de produtos e serviços inovadores no mercado e uma abordagem segmentada dos clientes, com o objectivo de dar resposta e captar a oportunidade proporcionada pelo crescimento do mercado local.

Neste contexto, nos últimos 12 meses foram abertos 10 novos balcões, dos quais seis no quarto trimestre de 2014, constituindo-se a rede de distribuição, no final de Setembro de 2015, por 165 balcões, nove centros de investimento e 16 centros de empresas, representando um crescimento de 5,6% face a igual período do ano passado. Em Setembro, o BFA contava no seu quadro de pessoal com 2.618 colaboradores, que corresponde a 31% do total do grupo, e 1,4 milhões de clientes.

“Quota de 4% do Millennium não permite grande nível de rentabilidade”

Um banco como o Millennium Angola, com uma quota de 3% a 4%, não tem dimensão para estar no mercado com um nível de rentabilidade e um contributo para o desenvolvimento da economia do País a um nível que se deseja, afirmou o presidente-executivo do Millennium bcp, Nuno Amado, justificando a fusão entre o Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Privado Atlântico (BPA), anunciada recentemente.

“Entendemos que, se quisermos estar em Angola com um nível de rentabilidade e com um contributo para o desenvolvimento da economia angolana ao nível que gostaríamos de ter, temos de dar um salto na nossa presença, e pensamos que um banco como o que temos lá, com uma quota de 3% a 4%, não tem dimensão suficiente para o fazer”, afirmou, na conferência de imprensa de apresentação de resultados dos primeiros nove meses do ano, esta semana.

O BMA e o BPA vão avançar com uma fusão em Angola, com o BCP a ficar com uma participação de 20% no novo banco, anunciou a instituição portuguesa a 8 de Outubro. O responsável referiu que a fusão vai permitir que o BCP acompanhe as exigências relacionadas com o desenvolvimento da economia angolana, acrescentando que um banco que saia da fusão com o Atlântico, com uma quota de 9% a 10% do mercado, já “tem dimensão, estrutura e até estrutura accionista para o fazer”.

Sobre a actual situação da economia angolana, caracterizada por uma quebra na arrecadação de receitas como consequência da queda do preço do petróleo no mercado internacional, o gestor considerou que a mesma até pode ser benéfica a prazo para o País.

“Estamos confiantes no desenvolvimento da economia de Angola num ciclo menos dependente do petróleo e mais dependente da economia interna, que eu penso que é bem-vinda”, disse Nuno Amado. (expansao.co.ao)

por Francisco de Andrade

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