Atentados de Paris relançam divisões na UE sobre o acolhimento de refugiados

Migrantes chegam à ilha grega de Lesbos, em 10 de Novembro de 2015 (Foto: ARIS MESSINIS/AFP)
Migrantes chegam à ilha grega de Lesbos, em 10 de Novembro de 2015 (Foto: ARIS MESSINIS/AFP)
Migrantes chegam à ilha grega de Lesbos, em 10 de Novembro de 2015 (Foto: ARIS MESSINIS/AFP)

Os atentados de Paris e a descoberta de um passaporte sírio perto do corpo de um suicida reviveram as tensões dentro da União Europeia sobre a política de acolhimento de migrantes e refugiados.

Os partidários de uma linha dura consideram que seus temores estão mais fundamentados do que nunca.

Contra eles, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu neste domingo a manutenção da política europeia migratória, garantindo que “não há motivos para rever todas as políticas em matéria de refugiados”.

Atenas e Belgrado confirmaram que o passaporte sírio encontrado perto de um terrorista nas proximidades do Stade de France – mas que ainda não está claro se corresponde de fato ao suicida – é de um migrante que chegou em 3 de Outubro na ilha grega de Leros, e que posteriormente transitou pela Sérvia.

“Todos os refugiados não são terroristas do EI. Mas acreditar que não há nenhuma combatente entre os refugiados é ingénuo”, observou neste domingo na imprensa alemã Markus Söder, do partido conservador católico bávaro CSU.

“Paris mudou tudo” e “o tempo não é mais de uma migração descontrolada”, insistiu o líder, cujo partido critica há várias semanas a política de acolhida de refugiados de sua aliada, a chanceler Angela Merkel.

Sem esperar tomar posse, o futuro ministro polaco dos Assuntos Europeus, o conservador Konrad Szymanski, anunciou no sábado que seu país, já hostil ao acolhimento de refugiados, “não via a possibilidade política” de cumprir com os acordos de realocação de imigrantes.

“Senhor primeiro-ministro, peço que feche nossas fronteiras, agora!”, declarou por sua vez o populista holandês Geert Wilders, cujo partido lidera as pesquisas em seu país.

O movimento islamofóbico alemão Pegida considerou, por sua vez, que atentados na Alemanha serão inevitáveis “caso o dilúvio de requerentes de asilo não seja parado”.

‘Ilusão de segurança’

Mais de 800.000 migrantes chegaram à Europa por mar desde o início do ano, a maioria do Oriente Médio, e a Alemanha espera receber quase um milhão de refugiados apenas este ano.

O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, advertiu contra qualquer “link precipitado” entre os ataques terroristas de Paris e a crise migratória na Europa.

“Aqueles que realizaram os ataques são exactamente aqueles de quem os refugiados estão fugindo, e não o contrário”, assegurou Juncker, antes da cúpula do G20 em Antalya (sul da Turquia).

“Quem é responsável por estes ataques em Paris não pode ser colocado em pé de igualdade com os verdadeiros refugiados que procuram asilo”, disse, considerando que os europeus não devem ceder às reacções “básicas”.

Uma fonte próxima a Juncker indicou que suas observações não significavam que não há uma margem de manobra para avaliar, ainda que parcialmente, a política actual.

Para o ministro das Relações Exteriores holandês, Bert Koenders, “fechar as fronteiras é criar a ilusão de que estamos seguros, é um conto de fadas que não ajuda ninguém”.

“Não sejamos ingénuos, precisamos controlar os migrantes para saber com quem estamos lidando, mas devemos ter muito cuidado ao ligar as causas e efeitos”, ressaltou.

“Eu entendo esse medo, e sei que não podemos excluir completamente” a presença de jihadistas entre os migrantes, disse Koenders.

Na Croácia, o principal país de trânsito de migrantes nos Balcãs, o primeiro-ministro Zoran Milanovic também declarou que “o fechamento (das fronteiras) e o arame farpado não impedirão tais tragédias”.

“Eu não posso vincular a crise dos migrantes aos ataques de Paris”, ressaltou.

Na França, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder da oposição conservadora, instou a União Europeia a adoptar uma “nova política migratória”, sublinhando que “não há nenhuma ligação, naturalmente”, com os ataques. (afp.com)

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