António Ole: Espírito Caluanda

António Ole, pintor e realizador angolano. (Foto: Paulino Damião)
António Ole, pintor e realizador angolano. (Foto: Paulino Damião)
António Ole, pintor e realizador angolano.
(Foto: Paulino Damião)

Abriu a 12 de Novembro no CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS uma exposição de Pintura, Fotografia e Instalação do consagrado Mestre ANTÓNIO OLE. Paralelamente à exposição, o Camões/Centro Cultural Português apresenta, nos um Ciclo de Cinema dedicado ao Artista, durante o qual serão exibidos dois Documentários realizados por ANTÓNIO OLE e um Documentário sobre a sua vida e obra, realizado por Rui Simões.

Neste seu mais recente trabalho, ANTÓNIO OLE apresenta 22 obras de pintura, fotografia e instalação, na sua maioria inéditas, entre as quais se destacam dois trípticos de fotografia e caixas de luz, que evocam o “ESPÍRITO CALUANDA”. Com o “ESPÍRITO CALUANDA”, Artista retoma um tema recorrente no seu percurso.

As impressões artísticas de António Ole. (Foto: Paulino Damião)
As impressões artísticas de António Ole.
(Foto: Paulino Damião)

Citando Filipe Correia de Sá, “já em 2004 ANTÓNIO OLE dá a indicação de que Luanda tem algo que o intriga, lhe estende uma rede em que se quer enredar, não fosse ele luandense por nascimento (…). Em 2009, com a exposição “Na Pele da Cidade”, volta de novo o espírito de Luanda a dominar a criatividade do OLE (…). Sente-se aqui uma caminhada, não em círculos, mas em formas, determinadas pelas pistas que o artista vai encontrando pelo caminho e através das quais ele estabelece um diálogo com o meio que o rodeia e cumpre um programa social de que não abdica, até porque o ESPÍRITO DE CALUANDA, sem bem o entendo, a isso obriga: cidadania, responsabilidade cívica.

Ainda recentemente, quando se preparava para levar a sua arte à Bienal de Veneza 2015 (como Artista e como Curador da representação de Angola), ANTÓNIO OLE voltou a inspirar-se na cidade para fazer uma peça para a qual utilizou baldes, desses que as quitandeiras usam nos seus afazeres, de várias cores, encarnados, azuis, verdes, amarelos.

(Foto: Paulino Damião)
(Foto: Paulino Damião)

Terminada a instalação OLE colocou-a na parte fronteira do estúdio, que tem uma parede de vidro. A umas senhoras que passavam não passou despercebida a exposição, atraídas pela cor e sem dúvida pela cuidada forma em que se expunham e foram ter com o ANTÓNIO OLE a quem perguntaram: Estão a vender bacias? AQUI NESTA CENA, EM QUE A ARTE DÁ ENCONTRO COM O REAL QUE A INSPIRA, QUEM VALEU E QUEM FALOU FOI MESMO O ESPÍRITO CALUANDA. O OLE PROVA: ELE EXISTE!” VIDA E OBRA.

Nascido em Luanda em 1951, António Ole é um dos artistas angolanos actuais de renome. Depois do seu primeiro aparecimento fora de Angola, no Museu de Arte Afro-Americana, em Los Angeles, 1984, os seus trabalhos nunca mais deixaram de circular pelo mercado internacional de arte. Conhecido também como fotógrafo e realizador de cinema, Olé criou uma obra ímpar no contexto da recente história cultural de Angola, sendo os seus trabalhos mostrados em várias partes do mundo nos mais diversos festivais e bienais de arte.

Entre muitas outras intervenções, participou três vezes na Bienal de Havana (1986, 1988 e 1997), duas vezes na Bienal de Joanesburgo (1995 3 1997). Em 1992, foi um dos artistas angolanos que estiveram presentes no Pavilhão Africano na Exposição Internacional de Sevilha e no ano de 2013 algumas das suas séries de fotos foram incluídas na exposição “Structure of Survival”, no Festival de Veneza. (cultura.ao)

 

 

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