Agostinho Neto declara ‘guerra’ a monografias plagiadas

(Foto: D.R.)
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Detectados casos de alunos que compraram os trabalhos de fim de curso alegadamente a chineses. Estudantes que plagiarem não poderão defender as suas teses.

Alguns estudantes da Universidade Agostinho Neto (UAN) que plagiaram trabalhos de fim do curso não poderão defender as suas monografias, afirmou o vice-reitor da instituição, Domingos Margarida. Segundo o responsável, que falava em conferência de imprensa no final da semana passada, a instituição tem conhecimento de casos de alunos que recorrem à compra de monografias, alegadamente a cidadãos chineses, mas não consegue ainda quantificar.

“Já detectámos alunos que apresentaram trabalhos de fim de curso que não foram eles que elaboraram, e serão penalizados por isso”, garante, explicando que os docentes “já tinham informações de havia possíveis casos de plágio”.

O responsável sublinha que os orientadores têm tido “muita atenção” quando estudantes entregam as suas monografias, para que não escape nenhum trabalho comprado no exterior. “Com a eliminação destas monografias falsas, muitos estudantes vão pensar bem antes de recorrerem aos famosos chineses para comprarem a monografia”, afirma, garantindo que a instituição não irá “dar tréguas a este problema que suja o bom ensino angolano”.

Orientadores nada devem receber

Questionado sobre alegados pagamentos que os estudantes têm feito aos seus orientadores, o responsável sublinhou que a UAN “é pública e não é necessário o estudante pagar [ao seu orientador] na época da elaboração da monografia”. Domingos Margarida disse que, neste momento, as sete faculdades que compõem a UAN estão a “preparar condições” para receberem o maior número possível de candidatos.

“Não sei exactamente o número de vagas que a instituição vai disponibilizar em 2016, mas vamos tentar disponibilizar o maior possível”, realçou, destacando ainda que nos últimos anos “Angola está a ter cada vez mais mestres e doutores”. “Há cinco anos, era difícil encontrarmos mestres formados no País, mas hoje algumas universidades têm lançado vários para o mercado”, afirmou.

O responsável fez um balanço positivo das actividades académicas que a instituição promoveu em 2015, mas reconheceu também algumas dificuldades, nomeadamente nos poucos laboratórios que a universidade possui para estudantes que têm aulas práticas. Entretanto, a UAN promoveu a I Bienal de Direito Constitucional, que se iniciou ontem e termina hoje. “Sendo o Direito Constitucional uma das principais áreas de investigação do Centro de Estudos de Direito Público [da UAN], este evento inicia um espaço aberto de reflexão e debate sobre a Lei Fundamental do nosso Estado”, diz a escola em nota de imprensa.

O evento decorre no auditório Maria do Carmo Medina, na Faculdade de Direito, com coordenação científica de Carlos Feijó e Raul Araújo. Actualmente a Universidade Agostinho Neto está implantada em 10 das 18 Províncias, tendo sete faculdades, seis institutos superiores de Ciências da Educação, um de Enfermagem e três escolas superiores. São ministrados na UAN 68 cursos de licenciatura 18 de bacharelato, além de 15 de mestrado.

Na Universidade Agostinho Neto funcionam ainda vários centros de investigação científica – Centro de Estudos e Investigação em População (CEIP), unidade multidisciplinar que realiza estudos e pesquisas sobre população, em colaboração com o Fundo das Nações Unidades para a População (FNUAP); Laboratório de Engenharia da Separação, da Reacção Química e do Ambiente (LESRA), que constitui uma Cátedra UNESCO associada à Universidade do Porto e grupo SANTANDER; Centro Nacional de Recursos Fitogenéticos (CNRF), unidade multissectorial que se ocupa da biodiversidade vegetal, incluindo a gestão dos seus recursos e integra a rede regional da SADC; Herbário de Luanda (Faculdade de Ciências), que Integra a rede Regional de Biodiversidade da África Austral (SABONET-Southern Africa Botanic Network) e está vocacionado para a preservação e estudo do património vegetal. Alberga cerca de 35.000 exemplares de plantas provenientes de vários pontos do País.

Existe ainda o Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica (CEDUMED), da Faculdade de Medicina, e o Centro de Pesquisa, Formação e Gestão em Educação (CPFGE) , ISCED/Lubango . Em colaboração com a UAN, o Laboratório de Exploração e Produção (LEP) da Sonangol realiza projectos de pesquisa nas áreas de ambiente, análise e processamento de imagens, micropaleontologia, petrofísica, petrografia, sedimentologia e simulação de reservatórios de petróleo. (expansao.ao)

Por: Sita Sebastião

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