7º Festival Internacional de Cinema de Luanda

NGuxi dos Santos, um dos prémios Nacional de Cultura, na categoria de áudiovisuais. (Foto: D.R.)
NGuxi dos Santos, um dos prémios Nacional de Cultura, na categoria de áudiovisuais. (Foto: D.R.)
NGuxi dos Santos, um dos prémios Nacional de Cultura, na categoria de áudiovisuais.
(Foto: D.R.)

O júri do sétimo Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC), que decorreu em Luanda, de 12 a 16 de Novembro, atribuiu ao filme de Nuno Barreto, “Controlo Remoto”, o prémio de Melhor Curta-metragem Nacional.

“Controle Remoto” mereceu o galardão pela grande criatividade, apesar da utilização de poucos recursos e meios de produção, pelo envolvimento de vários actores culturais locais numa performance inédita. Reunido no dia 16 de Novembro, o júri constituído por Asdrúbal Rebelo da Silva, José Luís Mendonça, Gilberta Irina Saraiva de Carvalho (os três angolanos), Adriana Niemeyer (Brasil) e Manuel Serrano (Espanha), analisou e avaliou 18 filmes de produção estrangeira e 12 de produção nacional.

O prémio da melhor curta metragem estrangeira coube a “Tji Tji, the Himba Girl”, do namibiano Oshoshen Hiveluan, por veicular uma mensagem de luta em prol do direito à educação da mulher africana, aliado ao bom desempenho da personagem com uma forte personalidade, que transmite uma conduta positiva. Também ficou ressaltada a qualidade da realização e da fotografia desta curta metragem. O melhor documentário estrangeiro foi “Jogo de Corpo, Capoeira e Ancestralidade”, do realizador brasileiro Mathias Assunção. documentário que vai buscar as raízes histórico culturais e antropológicas da arte da Capoeira que é difundida em todo o mundo com milhões de adeptos.

O filme utiliza os desenhos do pintor Neves e Sousa para ilustrar a pesquisa que é feita em várias regiões do centro sul de Angola para resgatar a memória e as semelhanças de danças e lutas que foram praticamente esquecidas. Um resgate da memória construído através de uma excelente realização e montagem. A melhor longa metragem estrangeira foi Marea Baja, um drama/triller do argentino Paulo Pácora, que acontece na bacia do Rio de la Plata num lugar muito pouco povoado onde se morre pela ambição. Atribuiu-se o prémio pela qualidade técnica, de direcção, fotografia e estética.

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Crianças acusadas de feitiçaria, de Manuel Narciso “Tonton”, foi considerado o melhor documentário nacional, pela abrangência de um tema actual e de denúncia sobre a vulnerabilidade da criança angolana. Uma mensagem de impacto social. O júri decidiu não atribuir o premio de longa metragem por não encontrar qualidade nos filmes em concurso e por considerar que os mesmos apresentam violência gratuita, falta de rigor histórico e investigativo.

Os prémios foram entregues pelo Secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley, na cerimónia de encerramento que decorreu dia 16 no Cine Atlântico, em Luanda e na qual também foi homenageado o realizador Nguxi dos Santos pela sua longa carreira recheada de êxitos como Languidila.

Seguiu-se a exibição do filme “Os Deuses da Água”, co-produção argentino-angolana, como forma de homenagear Pedro Ramalhoso, finado director do Instituto Angolano de Cinema.

SALTO QUALITATIVO

Segundo José Luís Mendonça, escritor e membro do júri, “o FIC pretende fazer com que a ficção nacional dê um salto qualitativo, que seja uma ficção mais culta e menos sensacionalista.

O cinema é uma Arte exigente. Há que não ter pressa de fazer o filme, há que investigar, rever a obra, pedir conselhos a historiadores, sociólogos, escritores, ver as questões de linguagem, os adereços, o habitat, enfim, fazer ficção mais culta, porque não pegar num romance, por exemplo, o MAYOMBE, de Pepetela, ou WANGA, de Óscar Ribas, ou outro romance e fazer desses livros um bom filme?”, considerou Mendonça.

Para este membro do júri, “o cinema em Angola está numa fase de crisálida, e fermenta o seu voo para muito breve, um voo de classe. Há cada vez mais esforço geral para colocar o cinema nacional no patamar internacional.

Para isso, há que reunir cabeças pensantes, não só da sétima arte, há que não fazer filmes só para concorrer e ganhar prémios, ou ganhar dinheiro, há que realizar guiões com mais esforço de criatividade, pesquisa e originalidade, por exemplo, o tema do Amor, o filme cómico (mas sem cair no ridículo), a criança como actor principal, a violência tem de ter um fundo humanístico, senão, é mero sensacionalismo”.  (cultura.ao)

 

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