Uma Terra sem árvores em 300 anos

(Foto:D.R.)
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Quantas árvores há na Terra? A resposta parece impossível de imaginar, mas uma equipa de investigação estimou o número em três biliões, 422 por pessoa.

Mas o total caiu 46% desde o início da civilização humana, e a taxa de perda da massa florestal devido à desflorestação e à actividade humana é de 15.000 milhões de árvores por ano.

Segundo um estudo publicado recentemente na revista Nature, a Terra alberga mais de três biliões (milhões de milhões) de árvores, ou seja, 422 por pessoa, cerca de oito vezes mais que os dados de estimativas anteriores (61 árvores por pessoa). Esta é a conclusão de um estudo internacional liderado pela Universidade de Yale, EUA, fruto de um levantamento que durou três anos e envolveu inúmeros técnicos de vários países.

Os investigadores usaram, para além das imagens de satélite, inventários florestais (mapas da distribuição mundial das árvores por quilómetro quadrado) e tecnologias de supercomputação para conhecer o número e a densidade de árvores do planeta, dados de quase 430 mil medições de campo realizadas nos últimos 12 anos e assim criaram o primeiro mapa espacialmente contínuo de densidade das florestas numa escala global. Apesar da utilização de alta tecnologia, um ponto crucial do estudo de Yale foi o uso de medições locais.

Foram recolhidos dados sobre densidade arbórea em mais de 400 mil áreas florestais ao redor do mundo. Isso ajudou a compensar as limitações das análises por satélite, cujas fotos são boas para mostrar as extensões de florestas, mas que não são muito úteis para revelar números individuais de espécimes. No entanto, o número total de árvores diminuiu cerca de 46% desde o início da civilização humana.

O estudo estima que o número bruto de árvores perdidas em cada ano é de 15 mil milhões (o que equivale ao desaparecimento de uma árvore por pessoa cada seis meses), provocada pela desflorestação, a alteração na utilização da terra e a gestão florestal, sendo a taxa de perda mais alta nas regiões tropicais, onde existe cerca de 43% do total das árvores do planeta.

O corte de árvores para exportar a sua madeira ou abrir clareiras para plantar soja ou para que o gado paste acabou com 50% das selvas tropicais do planeta. Do que resta, 60% está muito degradado. Estes números são importantes para se compreender a pressão humana sobre a floresta.

Anualmente, 15 mil milhões de árvores são cortadas e há cinco mil milhões de novas. Um saldo claramente negativo, de 10 mil milhões – 0,3% de perda global anual. Se este ritmo de destruição continuar sem alterações, as árvores desaparecerão do planeta em 300 anos. São três séculos, umas 12 gerações. Este estudo da cobertura vegetal poderá ajudar a calcular melhor a quantidade de carbono sequestrado pelas árvores, que atrasa o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera – um fenómeno que provoca o aquecimento global.

A densidade de árvores diminui quando aumenta a população humana e, actualmente, a extracção de ouro é uma das principais causas de desflorestação em alguns das florestas tropicais mais importantes da América do Sul e o corte de madeiras exóticas em África. Comércio ilegal de madeira

“Os humanos competem directamente com os ecossistemas florestais naturais pelo espaço” da superfície terrestre, escrevem os autores da investigação na Nature. O qual pode ser prejudicial para a própria humanidade, advertem, porque as florestas “albergam uma grande parte da biodiversidade global e proporcionam múltiplos serviços, que incluem a qualidade da água, as reservas de madeira e a captura de carbono” para conter as alterações climáticas, para além de produzir a maior parte do oxigénio que respiramos.

Embora 422 árvores por pessoa possam parecer suficientes, os investigadores alertam para o declive e deterioração progressiva dos ecossistemas florestais. Segundo os seus cálculos, baseados em dados históricos do Programa de Médio Ambiente da ONU, a população de árvores da Terra reduziu- -se a metade desde a origem da agricultura.

O declive deve-se principalmente a que ecossistemas antigamente dominados por árvores foram desflorestados massivamente para ganhar terrenos de cultivo. Entretanto, cinco países africanos – Quénia, Tanzânia, Uganda, Madagáscar e Moçambique – acabaram de assinar, na África do Sul, durante o XIV Congresso Florestal Mundial, um dos encontros de líderes florestais mais importantes do mundo, uma declaração sem precedentes para combater de forma conjunta o comércio regional de madeira extraída de forma ilegal no leste e sul de África, dando um passo significativo para solucionar uma das causas da perda das florestas. Uma informação da organização conservacionista WWF Florestas Vivas prognostica uma possível perda de florestas na região este de África até 12 milhões de hectares entre 2010 e 2030.

À escala mundial, entre 50% e 90% da madeira é extraída ou comercializada de maneira ilegal, segundo as Nações Unidas (PNUMA), e estima- se um custo de 20 mil a 70 mil milhões USD por ano. Um segundo estudo difundido pelo Instituto de Recursos do Mundo alerta que a superfície de florestas do mundo se reduziu no ano passado em 188 mil quilómetros quadrados, o que equivale a mais do dobro do território de Portugal.

O estudo, baseado em observações por satélite, situa os países onde mais se acelera a desflorestação no sudeste da Ásia (Camboja, Vietname e Malásia), África (Serra Leoa, Madagáscar, Libéria e as duas Guinés) e América do Sul (Uruguai e Paraguai). (expansao.ao)

Por: Benjamim Carvalho

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