Suspeitos confessam tráfico de albinos em Moçambique

ALBINOS (D.R)
ALBINOS (D.R)
ALBINOS (D.R)

Cinco dos 22 indivíduos que se encontram detidos nas cadeias da província de Nampula, norte de Moçambique, confessaram ter matado e vendido partes de órgãos humanos de cidadãos albinos neste ponto do país, noticiou a imprensa local.

O facto foi dado a conhecer no decurso do trabalho investigativo levado a cabo por uma equipa do Comando Geral da Polícia, liderada pelo respectivo comandante, Jorge Khálau, que procura inteirar-se do problema e sensibilizar os cidadãos no sentido de não se envolverem em crimes de tráfico de pessoas portadoras de albinismo.

A missão, que termina na próxima semana, centra-se nos principais distritos, onde se regista o maior número de casos.

Os cinco cidadãos confessos fazem parte de um grupo de seis detidos na localidade de Topuito, distrito de Larde, um dos pontos de maior ocorrência deste tipo de crimes.

No seu encontro com Jorge Khálau, a população local pediu que a Polícia não continuasse a prender apenas os autores, mas que devia também fazer a apresentação pública de todos os envolvidos.

A população exigia, assim, a apresentação dos seis indivíduos que sequestraram e mataram um cidadão albino a 16 de Setembro passado.

Os referidos indivíduos confessaram o crime e apontaram um sétimo em fuga como sendo o cabecilha do grupo, estando o mesmo a ser procurado pela Polícia.

Dos detidos, quatro são de Larde e dois da província central moçambicana da Zambézia, e um dos integrantes do grupo era primo do malogrado, um agente da Saúde que, na sua povoação, socorria muitos cidadãos.

Interagindo com a população, o comandante-geral da Polícia recordou que o crime não compensa, tendo apelado aos presentes para denunciarem todos os casos criminais.

“Não há crime que compense. É mentira que os órgãos de cidadãos albinos fazem ou criam riqueza. Denunciem os que fazem esta maldade”, apontou Jorge Khálau.

A Procuradoria Provincial de Nampula já instaurou 18 processos contra indivíduos envolvidos na onda dos crimes de tráfico de pessoas com deficiência de pigmentação, também designados de albinos.

Quatro casos dizem respeito à violação de túmulos, todos eles já remetidos ao Tribunal Judicial Provincial, tendo já sido julgado um, enquanto dos outros 14, que têm a ver com tráfico de pessoas, três já foram acusados e remetidos ao Tribunal.

Cristóvão Mário Mondlane, porta-voz da Procuradoria Provincial de Nampula, explicou que do total de 18 processos instaurados, em quatro houve vítimas mortais e três continuam dadas como desaparecidas.

Como medidas preventivas, Mondlane explicou que a Procuradoria Provincial está a realizar palestras nas comunidades, como forma de sensibilizar as pessoas a serem vigilantes e denunciar os criminosos para que sejam responsabilizados.

Disse também que estão a ser levados a cabo debates nas rádios comunitárias, em parceria com o Instituto de Comunicação Social, para que a mensagem abranja todas comunidades, sobretudo nas zonas onde se têm registado estes casos.

“Também reactivámos os grupos de referência contra tráfico de pessoas e estamos a efectuar visitas aos familiares que têm membros portadores do albinismo para a transmissão de mensagens para os cuidados a serem tomados”, disse o porta-voz da Procuradoria Provincial. (panapress.com)

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