Rebelião no grupo parlamentar do PS é muito improvável

(Negocios)
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As divisões no PS não deverão culminar em rupturas dentro do grupo parlamentar, dizem deputados e personalidades socialistas que se opõem a um Governo minoritário apoiado pelo PCP e Bloco de Esquerda.

À medida que vai ganhando força o cenário de um entendimento entre o PS e os partidos à sua esquerda levanta-se a questão de saber se todos os deputados socialistas estarão dispostos a aceitar uma solução destas. Agora que é conhecida a composição completa da Assembleia da República, em que a esquerda tem 122 deputados, conclui-se que bastariam oito abstenções na bancada do PS para impedir o chumbo de um eventual programa de Governo de Passos Coelho, ou a viabilização de um Governo minoritário socialista.

É este um cenário credível? Não, concluiu o Negócios depois de uma ronda por um conjunto alargado de deputados e personalidades do PS. “Não tenho nenhuma informação que me permita suportar essa ideia”, disse Carlos Zorrinho, ex-líder parlamentar do PS durante a direcção de António José Seguro. “Julgo que os deputados eleitos não se devem organizar em sub-grupos. Haverá com certeza um debate livre mas com disciplina de voto”, afirma Zorrinho, lembrando o regulamento do grupo parlamentar socialista.

Conforme se lê no site do PS, a regra geral é a de liberdade de voto aos deputados, excepto quando estejam em causa “matérias de governabilidade, programas de governo, moções e orçamentos do Estado, matérias de compromisso como o programa eleitoral assim como orientações da Comissão Política Nacional”. Este é o caso, pelo que a haver votos contrários à orientação dada pelos órgãos nacionais do partido, haveria lugar à abertura de um processo disciplinar interno, que muito provavelmente conduziria à expulsão do grupo parlamentar e eventualmente do partido (mas não do Parlamento).

Pode haver “15 ou 16 deputados” a votar contra

José Lello não foi eleito deputado, mas também tem muitas dúvidas que exista uma rebelião na bancada parlamentar. “Acho que isso é uma especulação da direita, que evidencia alguma angústia interna. Tanto quanto sei, não houve reuniões entre deputados do PS para acertar isso”, adiantou. Embora admita que há “entre 15 e 16 deputados” que “compõem um núcleo potencial de resistência”. “Uns porque são próximos de Seguro, outros porque já se distanciaram evidentemente das políticas do António Costa”, descreve.

É neste segundo grupo que se insere o próprio José Lello, um dos socialistas mais próximos do ex-secretário-geral José Sócrates. Isso quer dizer que votaria contra a orientação da bancada? “Tudo depende, isso tem que ser avaliado concretamente. Se não houvesse um acordo escrito em que se garantia que as linhas vermelhas do PS não seriam ultrapassadas, aí votaria contra, obviamente”, afiança. “Mas há muitas variáveis em jogo”.

Rosa Albernaz, que era próxima de António José Seguro, afasta a possibilidade de divergir da orientação de voto que for dada. “Só voto de forma distinta da bancada quando há liberdade de voto. Nestes casos, não. Se a bancada tomar uma decisão, eu vou seguir essa decisão”, garante a deputada eleita pelo círculo de Aveiro. E acredita que haja deputados a desrespeitar a orientação da bancada? “Para lhe ser franca, acho que não”.

Um ex-dirigente do PS próximo de Seguro e crítico de Costa, que prefere falar sob anonimato, diz ter as maiores dúvidas sobre a possibilidade de existirem divisões na bancada – até porque, lembra, António Costa teve como estratégia “decapitar” um conjunto de pessoas das listas para evitar que isso pudesse acontecer. Por isso, vê “pouquíssimas” pessoas capazes de o fazer. A questão é de “coragem” e isso faltará à eventual resistência interna, antecipa.

O Negócios não conseguiu chegar à fala com Francisco Assis, mas, em declarações à Lusa, o dirigente socialista, que assumiu uma oposição frontal a um eventual governo do PS apoiado pelo PCP e BE, afirmou que os os socialistas são “suficientemente maduros e têm suficiente experiência política e sentido de responsabilidade” para saberem “conviver uns com os outros e respeitar a decisão final, seja ela qual for”.

“Uma ideia sem pés nem cabeça” é como um dirigente próximo de António Costa vê um cenário de rebelião. Os críticos “querem disputar o partido, não querem sair do partido”, afirmou. Além disso, reforçou, se este raciocínio é válido para um governo apoiado pela esquerda, também seria para um governo de direita, apoiado pelo PS. “É completamente descabido”, concluiu. (jornaldenegociuos.pt)

por Bruno Simões |

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