Presidente do BNI acredita que fusões de bancos em Angola são para continuar

Pedro Pinto Coelho (Foto: D.R.)
Pedro Pinto Coelho (Foto: D.R.)
Pedro Pinto Coelho
(Foto: D.R.)

O presidente do banco angolano BNI Europa considerou hoje que o processo de fusões entre bancos em Angola deverá continuar, depois de anos de crescimento do setor no país e face à necessidade das instituições bancárias se tornarem mais sólidos.

“Um sistema financeiro jovem e um mercado com volatilidade (como acontece em Angola, em muito resultante da dependência do petróleo) obriga a que os bancos se reforcem para fazer face a esses desafios”, disse, em entrevista à Lusa, Pedro Pinto Coelho, que assumiu recentemente a presidência executiva do braço europeu do Banco de Negócios Internacional (BNI).

Para o gestor, a consolidação do setor “garante maior estabilidade do sistema financeiro e um reforço dos bancos existentes”, já que estando mais fortes conseguem absorver melhor eventuais choques da economia.

No início deste mês foi conhecido que o Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Privado Atlântico (BPA) vão avançar com uma fusão no mercado angolano, com o Banco Comercial Português (BCP) a ficar com uma participação de 20% na nova instituição bancária.

Alterações poderão também acontecer no Banco Fomento Angola (BFA), do BPI. Para já, está em cima da mesa a proposta do Conselho de Administração do BPI, de separar a atividade do banco em Portugal das participações em Africa, entre os quais os 50,1% no BFA. O objetivo é assim cumprir as regras do Banco Central Europeu, que obrigam à redução da sua exposição a Angola.

Pedro Pinto Coelho, que passou pela gestão de bancos em Angola, tendo sido presidente do Standard Bank, e mais recentemente por uma gestora de ativos na Suíça, disse à Lusa que no setor bancário ou uma instituição é pequena mas especializada em determinada nicho, gerando bons resultados, ou se for uma instituição abrangente quanto aos produtos oferecidos, mas sem uma quota de mercado grande, precisa de criar uma escala maior e daí podem surgir fusões.

Quanto ao BNI Europa, que arrancou a atividade em Portugal o ano passado, o gestor disse que de momento ainda trabalha sobretudo com clientes com interesses ou atividade em Portugal do BNI Angola, mas que conta abrir a operação a novos segmentos de clientes assim que estiver montada a plataforma de ligação aos clientes.

O BNI não conta abrir agências, mas trabalhar com os clientes à distância.

“O nosso objetivo é fazer uma segmentação específica no tipo de produto que vamos fazer. Não temos interesse em ter uma oferta alargada de produtos para empresas e particulares. Vamos, por exemplo, focar em alguns segmentos de crédito especializado de forma a ter o nosso espaço e não concorrer diretamente com bancos de grande dimensão que têm custos de financiamento bem mais baixos do que nós”, afirmou.

O BNI foi o último banco angolano a entrar em Portugal, onde já operam o BIC e o BPA. (dinheirovivo.pt)

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