Portugal entra no G8 da saúde que influencia políticas em todo o mundo

Consórcio foi assinado a 25 de setembro, em Coimbra (Foto: Paulo Novais/Lusa)
Consórcio foi assinado a 25 de setembro, em Coimbra (Foto: Paulo Novais/Lusa)
Consórcio foi assinado a 25 de setembro, em Coimbra (Foto: Paulo Novais/Lusa)

Consórcio entre Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e Universidade de Coimbra foi admitido no mais importante grupo de reflexão na área da saúde. Portugal passa a ser o 14.º país e o 5.º da Europa.

Portugal integra desde ontem o fórum mundial mais importante da saúde. A Aliança M8 – o G8 da saúde -, admitiu a entrada do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e da Universidade de Coimbra (UC). O consórcio começou a preparar a candidatura há um ano e foi agora aprovado por unanimidade, confirmou, ao DN, Martins Nunes, presidente do conselho de administração do CHUC.

A partir de agora, estas instituições vão estar no fórum com 17 outros membros, de 13 países, e vão discutir e traçar metas que a saúde a nível mundial deve alcançar. Segundo Martins Nunes – que estava em Berlim na sessão do M8 para assistir à votação da entrada de Portugal -, estão neste momento a ser discutidos temas como as migrações, a poluição, a saúde mental ou a violência. São “aspetos que têm que ver com o mundo atual” e sobre os quais Portugal vai ter uma palavra a dizer. “Vamos receber os dossiês, analisá-los e certamente entregaremos os nossos contributos”, apontou o presidente do CHUC.

O outro representante do consórcio, João Gabriel Silva, reitor da UC, considera que esta entrada no M8 “beneficia Portugal, pois através de Coimbra todo o país terá acesso a um dos mais importantes fóruns, ligado ao G8, em que a saúde global é discutida e são desenhadas muitas das iniciativas que são depois concretizadas em todo o mundo”. Também em Berlim, o responsável da universidade assegura que o consórcio “tem alguma coisa a oferecer ao fórum”.

Fica desde logo um exemplo: “A nossa ligação aos países africanos de língua portuguesa dá-nos uma presença contínua em África que não é comum e que é importante para uma instituição que se preocupa com a saúde global. Temos também pessoas de muita qualidade nas áreas de cada um dos dossiês em discussão e contribuiremos com os nossos conhecimentos.”

Reconhecendo a importância não só para Coimbra como para o país, o Ministério da Saúde também apoiou a candidatura de Coimbra a este grupo de reflexão e esteve presente quando esta foi entregue em Berlim, em julho. “Ao fazer parte desta associação, na qual têm assento as maiores academias do mundo e se gera pensamento em torno dos grandes temas e tendências deste setor, Portugal passa a participar em mais um importante fórum de debate e pensamento estratégico em torno da saúde mundial”, enalteceu, à Lusa, o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

O M8 reunia, até à entrada de Portugal, 17 das mais prestigiadas universidades e centros hospitalares e académicos do mundo, de 13 países. Funciona desde 2009, sob o patrocínio do governo alemão e organiza todos os anos a Conferência Mundial de Saúde.

Entre os seus membros – dos quais apenas cinco países europeus (França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Portugal) – contam-se instituições como o Imperial College, do Reino Unido, a Sorbonne, de França, a Universidade de São Paulo, do Brasil, ou a Bloomberg Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, dos EUA. Tendo em vista o objetivo principal que é “melhorar a saúde mundial”, o M8 traçou cinco “objetivos estratégicos”, como indica na sua página online.

O fórum procura desenvolver uma rede de centros académicos de ciências da saúde e juntar universidades e prestadores de cuidados, facilitar o diálogo entre os decisores da área (desde políticos, farmacêuticas, investigadores ou médicos). Quer ainda marcar a agenda global de desenvolvimento da saúde em todo o mundo, levando aos centros de investigação questões de interesse e divulgando resultados e recomendações. (dn.pt)

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