Catarina Martins: “Presidente está a comportar-se como um líder de seita” (vídeo)

(Euronews)
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A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou o Presidente da República de fazer chantagem com os deputados, de criar instabilidade e de se comportar como um “líder de seita”. Em entrevista à TVI, logo após Aníbal Cavaco Silva ter indigitado Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, a bloquista salientou que a “solução formal” de indigitar o líder do PSD para formar Governo tem “todo o cabimento”, mas criticou severamente o discurso proferido pelo chefe de Estado.

Legislativas 2015: resultados

Coligação Portugal à Frente: 36,86% (102*)
Partido Socialista: 32,31% (86)
Bloco de Esquerda: 10,19% (19)
Partido Comunista/ Verdes: 8,25% (17)
Partido Social Democrata: 1,5% (5)
Pessoas-Animais-Natureza: 1,39% (1)
Partido Democrático Republicano: 1,14% (-)
* Deputados eleitos

Fonte: http://www.legislativas2015.pt/

Para Catarina Martins, quando o “Presidente não é claro e dá a entender que poderá tentar limitar uma solução de Governo que seja diferente da que ele quer, está a tentar fazer chantagem”. “Julgo que o Presidente está a comportar-se como um líder de seita, a tentar criar instabilidade e a fazer chantagens. Acho completamente inaceitável que assim seja”, afirmou, durante uma entrevista dirigida pela jornalista Judite de Sousa.

Catarina Martins entende que Cavaco Silva não pode dizer que não aceita soluções “sufragadas no país e no parlamento”, referindo-se a uma eventual coligação de esquerda que poderia garantir a maioria no Parlamento. “O discurso é um discurso para tentar limitar a liberdade, dizendo que, aconteça o que acontecer nas eleições, as soluções de Governo têm de ser sempre as mesmas, mesmo que as pessoas decidam nas eleições quebrar o ciclo de empobrecimento”, sublinhou.

(Euronews)
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A porta-voz do Bloco de Esquerda reafirmou que a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) não terá “condições de estabilidade”, porque o seu programa e o Orçamento do Estado não vão passar no parlamento. “É uma solução que não tem nenhum futuro e que apenas nos faz perder tempo, mas que tem toda a legitimidade formal”, reiterou sobre a indigitação de Passos Coelho.
Partido Socialista acusa Cavaco de se opôr ao eleitorado

A Comissão Política do Partido Socialista (PS) considerou, por seu lado, que o Presidente da República se assumiu como “oponente” à maioria dos eleitores e acusou-o de confundir programa de Governo com programas de partidos políticos que suportem esse executivo. Estas críticas constam do comunicado final aprovado por unanimidade pela Comissão Política do PS, depois de Aníbal Cavaco Silva ter posto de parte a nomeação de um executivo alternativo suportado pela esquerda parlamentar.

“Importa, aliás, sublinhar que só à Assembleia da República compete apreciar o programa do Governo, não cabendo ao Presidente da República antecipar-se-lhe, muito menos confundindo o que é o programa do Governo com o programa dos partidos políticos que o apoiam e que só os eleitores podem avaliar”, lê-se no comunicado.

(DR)
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Segundo o PS, a decisão de Cavaco Silva de indigitar Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro foi tomada “depois de ter sido informado pelos partidos parlamentares de que a coligação de direita [PSD/CDS] não dispõe de apoio maioritário na Assembleia da República, nem de condições para aí poder ser viabilizado um Governo da coligação”.

O PS considera o discurso do Presidente da República, na quinta-feira à noite, como “absolutamente contraditório com os seus apelos ao compromisso”. “Que o Presidente da República nomeie, ainda, o líder do PàF (Portugal à Frente) para constituir Governo, entendemos, embora discordemos na utilidade e no tempo, mas não é atendível em democracia que o Presidente da República, porém, para além dessa processualidade que só fará o país perder tempo, se constitua como oponente à vontade de um conjunto maioritário de eleitores que extravasa em perto de um milhão os que apoiaram a coligação de direita”, sustenta-se no comunicado da Comissão Política do PS.

Para os socialistas, o Presidente da República “não tem o direito de questionar a genuinidade e a validade do compromisso de um Governo PS com a ‘opção estratégica europeia’ ou ‘com a observância dos compromissos no quadro da Zona Euro’”.

“O PS não recebe lições do Presidente da República e da direita portuguesa sobre o seu compromisso histórico em ambas essas opções, às quais sempre esteve, e continua a estar, ligado de forma determinante. O PS nunca aceitou, nem aceita, que sejam colocadas em dúvida as suas convicções no plano de segurança internacional, designadamente no que se refere à nossa participação na NATO”, lê-se ainda no mesmo documento.

Mas a Comissão Política do PS vai ainda mais longe nas suas críticas a Cavaco Silva, considerando inaceitável que se confunda “um programa de Governo que não contém tais intenções com o direito legítimo de partidos, que o votarão favoravelmente, de terem outras posições”.

“Também nada pode fazer pensar o Presidente da República que a perspetiva de um Governo do PS com apoio parlamentar estável e duradouro, e, como sempre foi garantido, respeitador dos compromissos externos do país, suscite desconfianças externas relevantes: A prova foi o comportamento desses meios nestes últimos dias, evidenciado, por exemplo, nas taxas de juro, e as provas poderão ser, infelizmente, as consequências desestabilizadoras que a comunicação do Presidente da República poderá provocar nesses meios e nos mercados em geral”, acrescenta-se no comunicado.

O Partido Comunista, por fim, reiterou a intenção do seu grupo parlamentar, liderado por Joõ Oliveira, de apresentar uma moção de rejeição do programa do futuro Governo PSD/CDS-PP. (euronews.com)

por Francisco Marques | com LUSA

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