Porto-Maccabi: Dois golos e um beijo na relva

(Paulo Duarte/AP)
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Aboubakar desbloqueia, Brahimi fixa: em três minutos, 2-0 e a liderança isolada.

O futuro é hoje. Isso mesmo, 21 de Outubro de 2015. Diz-nos o filme “Regresso ao Futuro 2”, quando Marty McFly atravessa o tempo no_DeLorean do_Doc. Como ir de 1985 para 2015 é assim para o complicado, até porque o carro é voador e nem precisam de estradas para dar aquele salto de 30 anos, é bem provável que os homens tenham falhado o grande evento da noite anterior. Vai daí, sentimo-nos na obrigação de o contar tintim por tintim.Estádio do Dragão, noite de intensa canícula. Parece Verão mas não é. Antes das 19h45, hora habitual do pontapé de saída do Porto-Maccabi Telavive, já se faz história através de Rúben Neves. Aos 18 anos e 221 dias, o portista é o capitão mais novo de sempre na história da Liga dos Campeões, iniciada em 1991. O registo é aplaudido pela UEFA.

Lá se vai o recorde do guarda-redes Igor Akinfeev, estabelecido numa outra terça-feira, a de 21 de Novembro de 2006, num CSKA Moscovo-Porto. Nesse dia, Quaresma e Lucho enganam o miúdo de 20 anos e 227 dias para selar o 2-0 inequívoco. Tal como hoje. Perdão, ontem. Isto do condensador de fluxo em forma de Y confunde qualquer um.

RADAR Julen Lopetegui ganha sucessivamente em casa há 19 jogos. Para chegar aos 20, e estabelecer um novo recorde na era Dragão (à frente de Mourinho 2003-04, entre o 3-1 do Madrid de Figo e o 0-0 vs. Deportivo de Jorge Andrade), tem de derrubar o Maccabi.

Se isto fosse basquetebol, seria uma tarefa complicada. Impossível até – o Maccabi é a segunda equipa mais vencedora de sempre na Euroliga com seis títulos (o último deles em 2014), só atrás dos nove do Real Madrid. Como isto é futebol, o Porto está em vantagem. Além de apostar na braçadeira de Rúben Neves, o espanhol aposta na titularidade do mexicano Corona, entre Casillas, Maxi, Marcano, Indi, Layún, André André, Imbula, Brahimi e Aboubakar.

O Maccabi responde com ua dupla bem engraçada. Ben Haim I e Ben Haim II. E aqui é mas é um regresso ao passado._Aos tempos de Jaime I (Pacheco) e Jaime II (Magalhães) no Porto, Bastos Lopes I (António) e Bastos Lopes II (Alberto) mais Humberto I (Fernandes) e Humberto II (Coelho) no Benfica, João Luís I (o brasileiro) e João Luís II (o português) mais Beto I (o central) e Beto II (o central) no Sporting.

ZOOM O Maccabi tem esta dupla e ainda um rapaz chamado Zahavi. É o capitão, bom de bola. E até assusta Casillas com dois remates fortes, um por cima, após perda de bola de Imbula, outro ao lado, de bicicleta.

O atrevimento do Maccabi é registado pelo Porto, através de alguns gritos irritadiços de Lopetegui. Acto contínuo, Aboubakar ameaça o 1-0 e Maxi imita-o. O golo sente-se. Aos 38’, Layún cruza com o pé direito (o seu pior; ou, vá, o menos mau) e Aboubakar agacha-se ligeiramente para um cabeceamento certeiro, na direcção de Rajkovic. A bola bate no guarda-redes sérvio e entra na baliza.

MAIS No quadradinho seguinte, nasce o dois-zero. Arrancada de Aboubakar desde o meio-campo e passe cirúrgico para Brahimi. O argelino corre uns metros, entra na área e escolhe o melhor lado. Segue-se o beijo na relva.

Em três minutos, mais coisa menos coisa, o Porto acaba com a resistência israelita e assenhora-se do primeiro lugar isolado, na sequência do 0-0 em Kiev entre Dínamo e Chelsea. Amanhã… Ups, hoje há mais Liga dos Campeões. Isto do Y é tramado. (ionline.pt)

por Rui Miguel Tovar

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