Pólos de desenvolvimento mineiro constituem base para industrializar país

Economista angolano José Cerqueira (Foto: José Falso/Arquivo)
Economista angolano José Cerqueira (Foto: José Falso/Arquivo)
Economista angolano José Cerqueira (Foto: José Falso/Arquivo)

O economista angolano José Cerqueira afirmou que a criação de pólos de desenvolvimento mineiro, uma das apostas do Executivo, no âmbito do processo de diversificação da economia, representa uma base para a industrialização do país.

Em entrevista ao Jornal de Angola publicada na sua edição de hoje (quinta-feira), José Cerqueira salientou a importância da criação dos pólos, porque nesta fase de crise do petróleo, o renascimento, em grande, da indústria angolana significará uma melhoria em todos os sentidos, por constituir também um progresso na vida do cidadão.

Para o especialista, com a criação dos pólos de desenvolvimento mineiro o país terá rendimentos altos e poderá ser mais auto-suficiente a ponto de não depender tanto das importações.

Para acelerar o processo de criação desses pólos, o também docente universitário entende ser necessária haver uma divisão de tarefas mais coesa, cabendo ao Executivo a responsabilidade de preparar as infra-estruturas básicas, como sistemas de água, energia, telecomunicações e estradas.

Na óptica de José Cerqueira, neste processo de criação de pólos caberá a classe empresarial a apresentação de projectos viáveis, assim como aos cidadãos ajudarem, mais activamente, neste propósito.

Disse existir planos para tornar essa divisão mais célere, tendo apontado como exemplo a Zona Económica Especial em Viana.

Questionado de como definiria o conceito de projectos viáveis dos empresários, o economista disse que os empresários e investidores são ele que devem definir qual o tipo de fábrica pretendem implantar numa determinada área.

“Não me parece boa filosofia o Executivo ter a tarefa de montar as fábricas e depois esperar que os investidores venham. Não devemos dispensar esforços e sim fazer as coisas por etapas e de forma organizada”- observou.

Relativamente à crise do preço do petróleo no mercado internacional, disse que o país está a aprender muito com ela e agora tem uma base de como lidar com futuros problemas do género, mas espera que a mesma passe o mais rápido possível.

“Apesar da dificuldade na venda, ainda temos bastante petróleo, mas, claro, vamos ter de adiar a exploração de algumas reservas. Angola é membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo e não pode aumentar a produção de acordo com a sua vontade. Como não podemos exportar, devíamos apostar mais nas demais matérias-primas do petróleo, de forma a fortalecer a indústria química”, disse.

Questionado acerca das áreas na indústria dos petróleos que precisam de maior intervenção, o economista salientou que a indústria química baseia-se muito no petróleo e o país tem muita matéria-prima rara pouco explorada.

Segundo o especialista, caso esse sector ganhe mais impulso, o país poderá exportar, dentro de anos, outras matérias.

“Na minha opinião, sempre que o país tiver uma matéria-prima, em quantidade importante, deve ter a aposta do Executivo, como os diamantes e o ferro”, disse.

Relativamente à exploração de outros minerais, disse acreditar que precisa de uma maior aposta, assim como de homens visionários, capazes de verem este sector como uma oportunidade para a criação de postos de trabalho, ou o desenvolvimento económico do país.

Enfatizou que os pólos representam uma aposta na especialidade, embora reconheça que a população angolana é mais envolvidas com a terra, mas quem vier investir na zona rural ou em minas tem que trazer um programa bem organizado com o Executivo, de modo que a população local se sinta a principal beneficiada e acolha os investidores positivamente.

“Esse tipo de medida mostraria que o investimento feito inclui também a componente da responsabilidade social”, sublinhou.

Ganhos com a criação dos pólos no campo económico e social

José Cerqueira afirmou que na área económica, o Executivo tem de estabelecer parcerias até no domínio das infra-estruturas, em sectores como a energia e a água, porque enquanto não tivermos um fornecimento regular, o sector da indústria terá muitas dificuldades para vincar.

“Uma das saídas é o Executivo criar parcerias e permitir maior investimento privado nestes dois sectores. O Executivo deve ter apenas a tarefa de averiguar e fiscalizar os preços a serem implementados”, disse.

Com a criação dos pólos, segundo afirmou, os principais beneficiários serão os empresários angolanos, assim como do cidadão comum, que tem a possibilidade de vencer num mercado de trabalho mais amplo.

“São mais e novos postos de trabalho a que eles podem concorrer. O que é preciso agora é acelerar esse processo, de forma a reduzirmos, significativamente, o índice de desemprego, em especial entre os jovens”, disse.

Por outro lado, enfatizou que o aumento da exploração mineira representa um ganho para muitas profissões e sectores, processo que vai induzir uma forte aposta na formação e capacitação dos quadros nacionais, de forma a não dependermos tanto, em especial nesta fase de desenvolvimento do país, dos técnicos estrangeiros.

“É preciso que os jovens apostem mais na formação profissional superior, porque quando se faz um projecto mineiro envolve-se todo um conjunto de trabalho e máquinas, que precisam de quadros especializados”, alertou.

Disse que a aposta na formação é importante, porque os ganhos da formação seriam reflectidos no crescimento do mercado de emprego e na diversidade deste. “Imagine o que aconteceria se toda essa juventude que hoje trabalha na rua tivesse empregos na indústria?. É essa a grande transformação que tem de acontecer na nossa sociedade com o surgimento dos pólos”, disse.

Com a implementação dos pólos de desenvolvimento mineiro, disse, a economia angolana estará fortalecida, reduzindo, deste modo, a forte dependência do sector petrolífero, que actualmente constitui a principal fonte de exportação e de receitas fiscais. (portalangop.co.ao)

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