Passos Coelho: um liberal decidido que sobreviveu à austeridade

(Foto de PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP)
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Chefe do governo português há quatro anos, Pedro Passos Coelho é um centrista liberal, calmo e decidido, que conseguiu a proeza de vencer as eleições legislativas deste domingo depois de tirar o país do atoleiro financeiro com medidas de austeridade sem precedentes.

“Se algum dia perdermos as eleições para salvar o país, passo as eleições”, proclamou ante representantes do Partido Social-Democrata (PSD) no verão de 2012, um ano após chegar ao poder.

Este homem, 51 anos, que entrou para a política muito jovem, é recompensado por ter cumprido a “missão patriótica” à qual havia se dedicado: tirar Portugal da tutela de seus credores: a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Isto foi concluído em maio de 2014, com a finalização do plano de recuperação financeira em três anos negociado por seu antecessor socialista, o que foi sinónimo de rigor orçamentário.

“Portugal superou uma de suas piores crises na história recente”, festejou, reconhecendo, no entanto, que seu nome “ficará ligado às consequências mais graves da crise”.

Passos Coelho se define como “um social-democrata de tendência liberal”, e teve que superar vários obstáculos para poder concluir o seu mandato e superar as previsões que o apontavam como derrotado poucas semanas atrás.

– ‘Eterno dirigente’ –

Este eterno dirigente da direita portuguesa nasceu em Coimbra (centro) e passou a infância em Angola, antiga colónia portuguesa, onde seu pai trabalhava como médico. Após a independência daquele país, em 1975, a família retornou a Portugal e se instalou em Vila Real (norte).

Seguindo os passos do pai, dirigente do PSD local, Passos Coelho entra, aos 13 anos, para a Juventude Social-Democrata (JSD). Sete anos depois, torna-se seu secretário-geral, e, em 1990, seu presidente.

Eleito deputado em 1991, suas posições liberais em matéria de drogas e serviço militar provocam agitação na cúpula do partido, que não lidava bem com sua independência.

Em 1999, aos 35 anos, decide abandonar o parlamento “para retomar o curso” de sua vida. Dois anos depois, licenciado em economia, torna-se consultor, e, mais tarde, director financeiro de um grupo de investimentos.

Em 2005, retoma a actividade política e é eleito para a vice-presidência do PSD. Derrotado nas eleições internas de 2008, é afastado da campanha para as legislativas de Setembro de 2009, que os social-democratas perdem, apesar da impopularidade crescente do governo socialista.

Seis meses mais tarde, vem a revanche. Eleito presidente do PSD pelo voto directo dos militantes, reivindica um programa mais liberal que o de seus antecessores para tirar o país do marasmo económico, defendendo a separação do Estado da economia e uma limitação de seu papel no social.

Suas propostas de trabalho comunitário para os desempregados provocam polémica, assim como seu questionamento do princípio de gratuidade para o ensino e a saúde previsto na Constituição.

A crise da dívida o põe à prova durante vários meses, e Passos Coelho consegue esclarecer seu discurso entre sua “oposição determinada” ao governo socialista e seu “apoio patriota” às medidas de austeridade impostas para sanear as finanças públicas.

No fim de março, quando a pressão dos mercados se acentua em Portugal, assume a abertura de uma crise política e provoca a demissão do governo minoritário ao rechaçar um quarto plano de austeridade em menos de um ano. Depois, vence as eleições legislativas antecipadas de Junho de 2011.

Acusado pelos socialistas de ter “aberto as portas ao FMI”, responde que “é melhor pedir ajuda do que morrer de fome”.

Desde então, este defensor de “falar francamente” comprometeu-se não apenas a respeitar o programa negociado pelo governo com a UE e o FMI, mas também prometeu “ir mais longe” em matéria de privatizações e reformas.

Passos Coelho casou-se duas vezes e é pai de três filhas. (afp.com)

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