Partido anti-imigração vence eleições parlamentares na Suíça

Toni Brunner, líder do SVP: "Temos que tornar a Europa menos atrativa" (REUTERS)
Toni Brunner, líder do SVP: "Temos que tornar a Europa menos atrativa" (REUTERS)
Toni Brunner, líder do SVP: “Temos que tornar a Europa menos atrativa” (REUTERS)

Após campanha marcada por discurso xenófobo, Partido Popular Suíço (SVP) obtém maioria das cadeiras na câmara baixa. Avanço da legenda nacionalista coloca em xeque relações do país com a UE.

O Partido Popular Suíço (SVP) conquistou a maior parte dos votos, 29,4%, nas eleições parlamentares realizadas neste domingo (18/10). Este é o melhor resultado obtido por um partido suíço no último século, após uma campanha eleitoral marcada por discurso xenófobo.

“O voto foi claro”, afirmou o líder do SVP, Toni Brunner. “Temos que tornar a Europa menos atractiva e enviar um sinal de que não podemos oferecer asilo, nem mesmo a refugiados de guerra.”

O SVP, que já era o partido com mais representantes na câmara baixa do Parlamento suíço, aparecia à frente nas pesquisas de intenção de voto, em meio a um intenso debate sobre a crise de refugiados. Durante a campanha, os nacionalistas falaram em “abusos no sistema de asilo” e “imigração desmedida”.

A vitória para a legenda anti-imigração, acompanhada do aumento do número de assentos ocupados por políticos do Partido Liberal Democrático (FDP), evidenciam um avanço da direita nacionalista na Suíça, apontam analistas.

Em 2013, o partido foi responsável por um projecto de lei para banir o uso do véu islâmico no país, e foi o principal promotor da legislação de 2009 que proibiu a construção de minaretes em mesquitas, uma medida condenada internacionalmente.

Referendo

O SVP é o dos principais defensores da implementação do resultado do referendo de Fevereiro de 2014, que determinou um prazo de três anos para o estabelecimento de um tecto para a entrada de imigrantes por nacionalidade, e a renegociação do tratado de livre-circulação com a União Europeia.

O legislador suíço tem até 2017 para negociar a implementação da medida com Bruxelas. A vitória dos nacionalistas aumenta a pressão sobre o governo em Berna.

Apesar de não ser membro da UE, a Suíça mantém acordos bilaterais de livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços com o bloco, que agora são colocados em xeque com o avanço do SVP. (dw.de)

KG/rtr/afp

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