Necessidade de contenção

FELICIANO VAN-DÚNEM LUCANGA Economista (Foto: Vigas da Purificação)
FELICIANO VAN-DÚNEM LUCANGA Economista (Foto: Vigas da Purificação)
FELICIANO VAN-DÚNEM LUCANGA
Economista
(Foto: Vigas da Purificação)

No dia 15 de Setembro, o presidente do Conselho de Administração do maior banco de capitais públicos de Angola (BPC), Dr. Paixão Júnior, anunciou, através da RNA, que a instituição conseguiu metade dos mil e quinhentos milhões de dólares necessários para equilibrar o nível de liquidez e voltar a realizar normalmente as operações de créditos da instituição.

Fez igualmente referência à carteira de créditos mal parados. A notícia caiu como um balão de oxigé- nio para os trabalhadores da função pública e não só. Pelo facto, espera-se dos clientes não ver apenas na vertente de pedir crédito, mas também cumprir com as suas obrigações no retorno. Pois só assim a instituição pode honrar com os seus compromissos junto dos seus financiadores.

Parece faltar nalguns clientes, digamos, a cultura de não ver apenas os produtos que os bancos oferecem, mas também de termos em conta os elementos para fazer uma análise comparativa entre as instituições de créditos e aqueles que nos facilitam para não falhar com os nossos compromissos, tais como: a TAN, TAE, TAEG e TAER. São óptimos indicadores para comparar propostas de diferentes instituições financeiras. É importante que os critérios sejam os mesmos.

Quando se pede um empréstimo é usual que lhe sejam apresentadas várias taxas como as referenciadas ou mesmo outras, dependendo do produto. Perceber a diferença entre estas taxas e qual a que reflecte verdadeiramente o custo do crédito é quase sempre o maior desafio. A taxa de juro não é mais do que o custo do dinheiro, ou seja, o quanto uma instituição financeira lhe cobra por lhe emprestar dinheiro.

Esse custo varia em função do prazo, do montante e também do bem que é financiado. Para um banco, é diferente emprestar para comprar um carro, uma casa, fazer um investimento ou fazer uma viagem. Por norma, os empréstimos de mais curto prazo tendem a apresentar taxas de juro mais elevadas do que aqueles que têm maior duração. Além disso, a garantia também tem influência no preço.

Por exemplo, quando se compra um carro, o mesmo pode servir de garantia, ou seja, caso deixe de pagar o banco fica com o carro. Este tipo de produto chama-se leasing. Já numa viagem não há garantia. A pessoa já pode ter usufruído da viagem e se entrar depois em incumprimento o banco não tem qualquer garantia. Assim, sempre que não há garantia, também, a taxa de juro tende a ser mais elevada.

A taxa de juro é uma óptima ferramenta para ajudar a comparar os custos dos empréstimos e as diferentes instituições. Mas primeiro há que perceber a taxa e que impacto cada uma tem para melhor escolher o produto de crédito. TAN (taxa anual nominal) – como o nome indica, é uma taxa anualizada, usada nas operações que envolvem o pagamento de juros, sejam empréstimos, sejam remuneração de depósitos.

Sendo uma taxa anual para se calcular o valor mensal, tem de dividir-se por 12. Já para cálculos semestrais deverá ser dividida por dois, ou por quatro para calcular o valor trimestral. TAE (taxa anual efectiva) – representa o custo anual de um empréstimo em função do montante em dívida ou a remuneração de um depósito, consoante o caso. Esta taxa tem em conta os encargos inerentes a um pedido de empréstimo, como juros, despesas de processo e comissões.

É um bom indicador para comparar o custo efectivo do crédito à habitação. No entanto, é importante salientar que a TAE não reflecte os encargos com seguros e outros produtos associados ao crédito à habitação. Quando quiser comparar o custo de um empréstimo de casa entre várias instituições, desde que os requisitos sejam idênticos, como prazo e montante, esta é uma boa taxa comparativa.

TAEG (taxa anual efectiva geral) – é um bom indicador para comparar o custo efectivo de um crédito ao consumo ou pessoal. Além de incluir os mesmos pressupostos da TAE – como juros, despesas de processo e comissões – engloba também os custos do seguro do crédito. Desta forma, num empréstimo pessoal, automóvel ou ao consumo com outra finalidade, deverá ser esta a taxa a analisar para comparar custos entre instituições.

TAER (taxa anual efectiva revista) – foi criada em 2009 e passou a ser obrigatório constar em todas as simulações de crédito à habitação, sempre que exista a subscrição de outros produtos que permitem beneficiar numa redução do ‘spread’ (taxa que os bancos acrescem à taxa de mercado e que não é mais do que a margem de lucro do banco). Ou seja, trata-se de uma TAE com os custos da subscrição de outros produtos associados.

Caso existam produtos que permitam baixar o ‘spread’, deverá ser esta a taxa a utilizar para comparação com as propostas de outros bancos. Se estiver a pensar em solicitar um crédito à habitação a TAE ou a TAER, são as duas melhores taxas para comparar ofertas de diferentes bancos. Caso pretenda contratar um crédito pessoal ou ao consumo, a melhor taxa para comparar ofertas de diferentes instituições é a TAEG. (jornaldeeconomia.ao)

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