Mina do Luaxe começa a produzir em 2017

Mina Luaxi, Lunda-Sul (Foto: D.R.)
Mina Luaxi, Lunda-Sul (Foto: D.R.)
Mina Luaxi, Lunda-Sul
(Foto: D.R.)

Potencial da quarta maior mina do género em todo o mundo ainda está por conhecer com precisão, mas as previsões apontam para reservas de 350 milhões de quilates e uma vida útil de 30 anos.

Projecto da Endiama, em parceria com a Alrosa, envolve investimento de cerca de 1,5 mil milhões USD e poderá criar mais de 2 mil empregos directos.

Situa-se em Luaxe, na Lunda-Sul, e dados preliminares apontam para a ocorrência na mina de uma reserva de 350 milhões de quilates e uma vida útil de 30 anos. Segundo o presidente do conselho de administração da Endiama, o Governo pretende que a mina comece a produzir no prazo previsto, estando em fase conclusiva os estudos de viabilidade da mina que se espera tenha um potencial superior ao da Sociedade Mineira da Catoca, quarto maior kimberlito do mundo.

Mesmo que o mercado internacional esteja saturado, disse Carlos Sumbula, “tudo passa pela adopção de uma estratégia que estimule os compradores a nível externo, e para Angola os direitos de preferência para os clientes vão continuar”.

Num encontro com deputados britânicos, o gestor lembrou que a Índia adoptou a política de lapidação, tendo hoje um acumulado de biliões USD em diamantes lapidados, mas o preço baixo actual faz com que tenha muitas perdas.

A queda do preço do diamante lapidado, reconheceu, fez com que Angola “reduzisse a lapidação e apostasse mais na produção em bruto”. Desde 2008, lembrou Carlos Sumbula, o País tem negociado com parceiros que, no âmbito dos acordos, vão continuar a comprar as pedras angolanas a preços “aceitáveis”.

A entrada em actividade do Luaxe abre caminho a que o País venha a ter uma reserva considerável, caso o mercado se mantenha saturado, como tem acontecido recentemente, mas a concessionária nacional revela que “é o momento de pôr a máquina a trabalhar e é do interesse do Estado que a geografia diamantífera tenha outra configuração”.

A mina, que já foi aprovada pelo Conselho de Ministros, é o novo desafio para a Endiama e a parceira Alrosa, a ‘gigante’ russa de mineração de diamantes, estando previsto um investimento de cerca de 1,5 mil milhões USD na aquisição de meios técnicos e formação de quadros.

“O Executivo baixou instruções claras de como devemos fazer para que o Luaxe entre em actividade. Neste momento, temos equipas que estão a trabalhar em Angola e na Rússia no sentido de se efectivar. Vamos trabalhar para classificar a mina, que pode ser maior que a de Catoca, pois os indicadores apontam para um kimberlito com um potencial muito elevado”, disse, Carlos Sumbula.

À espera de melhor preço para vender

O PCA da Endiama garantiu que, entretanto, o País vai continuar a constituir reservas em diamantes brutos, comercializando- os “quando houver um aumento significativo no preço” da pedra preciosa.

“Estamos a trabalhar no sentido de manter o equilíbrio do preço do mercado internacional. A crise de 2008 deu-nos lições que serviram para que o preço se mantivesse elevado. A situação actual pode fazer com que os países produtores adoptem outra postura para actuar de forma coordenada, o que até então não acontecia”, afirmou.

O gestor referiu ainda que os países produtores de diamantes deverão investir em marketing para que haja mais compradores. “Angola, Botswana, Canadá, EUA Austrália e a De Beers estão a trabalhar para a formação de uma equipa para gerir as marcas dos países-membros, e pensamos que esta estratégia dará dinâmica ao mercado diamantífero”, explicou.

Reservas avaliadas em 350 milhões de quilates

“Vamos manter os compradores preferenciais, como temos vindo a fazer, porque estes, com ou sem crise, continuam a pagar os nossos diamantes a preços aceitáveis. Os países que compraram os diamantes angolanos continuam a financiar o desenvolvimento da actividade mineira do País”, sublinhou, explicando que este é um critério adoptado “para elevar as receitas do País”.

O memorando sobre o projecto diamantífero do Luaxe, aprovado em Setembro, estabelece o formato empresarial para a outorga da concessão e a realização dos investimentos necessários para a prospecção e exploração de kimberlito naquela que é a maior mina do País, a escassos 20 quilómetros da Catoca.

A mina assegura uma produção anual de 6,5 milhões de quilates de diamantes – cerca de 75% da produção total. Com reservas de 350 milhões de quilates e um tempo de vida útil de mais de 30 anos, pode, de acordo com alguns especialistas, mudar em grande medida a geografia mundial dos diamantes.

Os dados de Luaxe são ainda preliminares, mas a Endiama e a parceira Alrosa estão confiantes num futuro prometedor em termos de resultados, sendo esperado deste projecto um grande contributo para a diversificação da economia nacional, excessivamente dependente do petróleo.

Prevista produção acima do total actual

Até meados do próximo ano, estarão concluídos os trabalhos de prospecção. Depois será elaborado um estudo de viabilidade técnica, económica e financeira. Nessa altura, ocorrerá a mobilização dos necessários investimentos para a montagem da mina e arranque das operações. A previsão é que o início da produção se efective entre o final de 2017 e o início de 2018. Caso as previsões se revelem correctas, a produção máxima da mina será superior a 8 milhões de quilates por ano – acima dos 8,2 milhões de quilates gerados actualmente em todo o País.

O projecto vai garantir mais de 2 mil empregos directos, prevendo-se a ‘reciclagem’ de trabalhadores que já tenham experiência no sector mineiro. Vários, por exemplo, poderão vir de projectos que foram desactivados. A descoberta da mina tem as suas raízes em 2012, quando a Endiama iniciou, com a Alrosa, o estudo científico de potenciais zonas diamantíferas e a respectiva prospecção.

O objectivo era identificar e localizar a origem dos diamantes aluvionares explorados em Angola nos últimos 100 anos. Receitas de exploração podem duplicar Apenas cerca de 10% dos diamantes aluvionares angolanos são provenientes de kimberlitos conhecidos, estando o resto em kimberlitos desconhecidos.

Angola é, actualmente, o quarto maior produtor mundial de diamantes, um sector que garante ao País uma receita bruta anual de 1,2 mil milhões USD. Quando a produção do Luaxe estiver na sua plenitude, a posição mundial do País como produtor das pedras preciosas pode melhorar substancialmente, e as receitas poderão duplicar.

Existem actualmente 12 minas em actividade e, no quadro da expansão da actividade mineira da Endiama, estão em curso várias iniciativas para o relançamento de novos projectos mineiros. Entre Janeiro e Setembro do ano passado, o Estado arrecadou mais de 70 milhões USD em impostos sobre a venda de diamantes, um valor que se espera que venha a aumentar com a entrada em funcionamento de novos projectos. As exportações cifraram-se em 6,5 milhões de quilates, mais 171 mil face ao período homólogo.

Catoca recua no Zimbabué

Em Novembro de 2013, ainda no auge dos preços altos dos diamantes no mercado internacional, a Sociedade Mineira de Catoca havia manifestado interesse em internacionalizar a sua actividade, e o Zimbabué seria a ‘praça’ escolhida.

Mas a evolução do mercado fez com esta aventura ‘abortasse’. A Catoca fixou-se em Angola e reduziu os custos de produção, uma medida adoptada pela direcção russa que já começa a notar mudanças no relacionamento com os trabalhadores que temiam despedimentos em massa. Sergei Amelin, director-geral de Catoca, garante que não se trata de um compromisso falhado, mas de uma aposta que poderá efectivar-se mais tarde porque, no seu entender, “Angola tem muito diamante”.

“Estamos a trabalhar na montagem de equipamentos novos aqui em Catoca e pensamos que ainda temos muito trabalho para desenvolver. Temos pessoal excedentário, mas são os que estão doentes e já não têm capacidade de trabalhar na mina. A esses vamos pedir para irem para a reforma, e outros podem ser integrados no projecto em actividade menos pesada”, disse, garantindo que “não haverá despedimentos” e se espera atingir uma produção de 6 milhões de quilates, disse. Sobre salários, explicou que a sua equipa já começou a fazer aumentos de 12% e lembrou que a mina “ainda tem muita vida”, por isso está em curso um plano de desenvolvimento de Catoca que “visa o aumento das quotas de produção”. (expansao.ao)

Por: Martins Chambassuco

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