Liberdade já!

BOSS AC Músico Cronista do CM (Foto: D.R.)
BOSS AC Músico Cronista do CM (Foto: D.R.)
BOSS AC
Músico
Cronista do CM
(Foto: D.R.)

Nestes últimos dias tem-se falado bastante da situação dos 15 activistas angolanos presos em Luanda no passado mês de Junho, principalmente sobre Luaty Beirão, o músico de 33 anos também conhecido como Ikonoclasta, detido no hospital-prisão de São Paulo em Luanda e em greve de fome desde 21 de Setembro.

O grupo foi preso quando se encontrava a fazer a leitura de ‘Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura – Filosofia política da libertação para Angola’, livro escrito pelo jornalista Domingos da Cruz, também ele um dos detidos. Alegadamente, conspiravam acções de desobediência civil e uma rebelião contra o governo de José Eduardo dos Santos.

Essa é a versão oficial. Os activistas reivindicam o abandono do poder por parte de José Eduardo dos Santos, que governa Angola há 36 anos e pedem a retoma do processo democrático. No seu discurso, denunciam as graves desigualdades sociais, o abuso de poder e a corrupção que têm tornado Angola, cada vez mais, um país rico cheio de pessoas pobres.

A greve de fome tem como objectivo a libertação imediata dos activistas presos para que esperem julgamento em liberdade, visto que o prazo, previsto pela lei angolana, de 90 dias em prisão preventiva, já foi ultrapassado. Os familiares mais próximos dizem que, com a recusa em se alimentar, Luaty, visivelmente debilitado e muito mais magro, corre perigo de vida.

As autoridades angolanas dizem que está fraco e debilitado mas que não corre perigo de vida. Luaty Beirão tem dupla nacionalidade e é também cidadão português, o que tem feito com que actuação do governo português em relação a este assunto seja alvo de críticas. O silêncio foi quebrado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que disse que não cabe a Portugal imiscuir-se em matérias do foro interno angolano e que, em casos de dupla nacionalidade, quando as pessoas “estão num dos países da sua nacionalidade, são tratadas como nacionais exclusivamente desse país”.

Várias tem sido as acções da sociedade civil, um pouco por toda a lusofonia, mobilizada em solidariedade com os presos. Em Luanda, uma vigília foi desmobilizada pela polícia, apesar dos participantes estarem em silêncio e em oração em frente à Igreja da Sagrada Família. Penso conhecer a realidade angolana suficientemente bem para opinar mas não é essa a finalidade desta crónica.

Não tenciono entrar em politiquices nem em acusações. Apenas desejo uma Angola livre e plural e em que cada um possa livremente expressar a sua opinião. Já me foi dito que este assunto apenas a Angola diz respeito e que ninguém tem que se intrometer. Discordo. Direitos Humanos ultrapassam fronteiras. À hora a que escrevo esta crónica, Luaty continua em greve de fome. Liberdade já! (cmjornal.xl.pt)

 

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