Jerónimo de Sousa: “Mais do que o papel, é a palavra dada. E quem nos conhece sabe”

(José Sena Goulão/Lusa)
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Secretário-geral comunista sublinhou que há um compromisso com os socialistas. E disse ter esperança que o PS reconsidere um dia a questão da dívida e do tratado orçamental.  “Não aceito inevitabilidades. Portugal tem todas as condições para assumir a sua autonomia.”

Jerónimo de Sousa afirmou em entrevista à SIC que o PCP está “de forma séria” nas reuniões de trabalho com o PS e que está em condições de assumir “todas as responsabilidades necessárias”, incluindo governativas, para que os portugueses tenham um governo de esquerda. Mas deixou a garantia: “Não fazemos nem propomos nada que não tenhamos afirmado ou proposto durante a campanha eleitoral.”Há um compromisso, sublinhou o secretário-geral do PCP, que acrescentou depois que este processo terá um desfecho. “Lá na fábrica dizíamos que um papel aguenta tudo o que se queira lá pôr”, disse em recado para aqueles que têm perguntado pelo papel assinado com o acordo. “Mais do que o papel é a palavra dada e quem nos conhece sabe que sempre, numa situação ou noutra, foi a palavra.”Jerónimo de Sousa admitiu rever as metas do défice num acordo com o PS e o Bloco de Esquerda. “Gostava que um economista me explicasse por que é que o défice tem que ser de 3% em vez de 4%”, atirou. E disse depois sobre o problema da dívida e do tratado orçamental que não se pode pensar que fechando os olhos o problema deixa de existir. “Existe, vai ser a realidade a impor-se”, vaticinou.

“O grande problema é que a questão não deixa de existir só porque não se ouve, não se vê e não se fala. Sabemos que, por exemplo, em relação à questão da dívida, vamos ter que arranjar 60 milhões de euros até 2020. Para pagar juros. Quando dissemos isto pela primeira vez foi uma blasfémia, mas hoje são muitos os portugueses que consideram que a questão da renegociação da dívida tinha que se pôr. Não por imposição do PCP, por imposição da realidade”, afirma Jerónimo. “Hoje temos esta realidade, mas aceitamos isso como um modo de vida ‘ad aeternum’?”

Reconhecendo que “de facto no seu programa [do PS] não existe a ideia de uma alternativa verdadeira para um outro rumo da vida nacional”, o secretário-geral do PCP disse ter “sempre confiança” na mudança. “Nada está perdido para sempre”, disse, dizendo ter “esperança” que um dia o PS reconsidere a questão da dívida e tome outras opções. “Não aceito inevitabilidades. Portugal tem todas as condições para assumir a sua autonomia.”

Sobre se o PCP respeitaria o tratado orçamental, o secretário-geral comunista respondeu de forma clara: “Nós não faremos isso.” E mostrou-se preocupado com a visão do Presidente da República no seu discurso sobre o que é o interesse nacional, que considera “profundamente inquietante”. “A opinião do Presidente da República não pode ser lei”, criticou. “Só faltava dizer agora que são os mercados quem decide quem é o primeiro-ministro nacional.”

Jerónimo voltou a dizer que não tem conhecimento do conteúdo das reuniões bilaterais dos socialistas com o Bloco de Esquerda, por se tratar disso mesmo: reuniões bilaterais. E questionado sobre se lhe foi oferecido algum lugar no governo, respondeu que o Partido Comunista não luta por lugares. “A nossa postura tem sido dar uma contribuição positiva, procurando resolver os anseios de muitos portugueses.” (ionline.pt)

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