Guiné-Bissau: Presidente quer reformulação de proposta de Governo

José Mário Vaz, chefe de Estado guineense (DW)
José Mário Vaz, chefe de Estado guineense (DW)
José Mário Vaz, chefe de Estado guineense (DW)

A Guiné-Bissau permanece num impasse político. O Presidente José Mário Vaz pediu ao primeiro-ministro Carlos Correia que reformule a sua proposta de Governo. E há denúncias de tentativas de silenciar “vozes incómodas”.

Na terça-feira (06.10), o chefe de Estado pediu ao novo primeiro-ministro, Carlos Correia, para “reformular as propostas, quer da estrutura orgânica, quer do elenco governamental”, que apresentou na passada sexta-feira (02.10).

José Mário Vaz considera “surpreendente” e “estranho” o surgimento do nome do ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira na proposta, bem como de “mais de 80% dos membros” do respetivo Executivo, demitido a 12 de agosto, lê-se num comunicado divulgado pela Presidência.

Após a reunião no Palácio Presidencial, Carlos Correia limitou-se a dizer que ainda está-se a trabalhar para a formação muito em breve do Governo.

Ao início da noite (06.10), o Presidente guineense esteve reunido com o Partido da Renovação Social (PRS), a segunda maior força política no Parlamento. O secretário nacional do partido, Florentino Pereira, não revelou aos jornalistas o que terá abordado com José Mário Vaz.

O representante residente da União Africana (UA) em Bissau, Ovídio Pequeno, considerou já que é “insustentável” a situação de impasse que se vive na Guiné-Bissau. Por isso, apela a todos os que têm capacidade de tomar decisões na vida política do país para que “se entendam e enveredem pela via do diálogo, uma questão extremamente importante”.

Perante este cenário, vários observadores em Bissau acreditam que a formação de um Governo de iniciativa presidencial é uma opção a ter em conta nos próximos dias.

Silenciamento de “vozes incómodas”

A situação política guineense também ganha novos contornos com denúncias de tentativas de silenciar vozes incómodas ao processo, principalmente a do presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, segundo um alerta emitido por esta formação política.

Ufé Vieira, porta-voz da Aliança Nacional para Paz e Democracia – um grupo de organizações da sociedade civil criado para observar a crise política – também denunciou na segunda-feira (05.10) uma alegada tentativa de detenção de Domingos Simões Pereira, mas sem revelar os autores.

O líder do PAIGC diz que, até hoje, o Presidente José Mário Vaz não foi capaz de provar as justificações que alegou para demitir o seu Governo. “A mesma entidade que evocou corrupção e nepotismo para justificar a decisão de demissão do Governo, quando convidado pela Comissão Parlamentar de Inquérito a apresentar provas e evidências materiais da sua acusação, pede à Comissão que o elucide sobre quando e em que passagens” referia isso, disse Simões Pereira.

Bloqueio político

Numa reunião com a comunidade internacional na sede do PAIGC, o ex-primeiro-ministro responsabilizou José Mário Vaz pela situação vigente no país e acusa-o de tentar silenciar algumas vozes. “Nessa saga de justificações e de fuga para a frente, explora-se agora a possibilidade de envolver as Forças de Defesa e Segurança no imbróglio, recorrendo ao regresso ao país do contra-almirante Zamora Induta”, afirmou Simões Pereira.

O antigo chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau encontra-se na prisão do quartel de Mansoa, no norte do país. Foi detido a 22 de setembro, por ordens do Tribunal Militar Superior, por suspeita de envolvimento numa tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2014.

Segundo o líder do PAIGC, o Presidente da República criou uma situação de bloqueio político para que possa implementar os seus planos, ao ponto de impedir o PRS de participar na nova proposta de elenco governamental feita pelo seu partido. A Presidência da República ainda não reagiu oficialmente às acusações. (dw.de)

por Braima Darame (Bissau) / Lusa

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