Guiné-Bissau há dois meses sem Governo

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A crise política guineense é marcada pela rejeição por parte do Presidente José Mário Vaz de nomes propostos pelo PAIGC para integrar o novo Governo. Cenário de ameaças e troca de acusações preocupa os guineenses.

Foi a 12 de agosto que José Mário Vaz demitiu o Executivo liderado por Domingos Simões Pereira, alegando quebra de confiança no primeiro-ministro.

Desde então, a situação piorou com a troca de acusações entre a Presidência da República, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS), os dois principais partidos no Parlamento. A situação agravou-se com a constante rejeição do Presidente às listas propostas pelo PAIGC para a formação do elenco.

Esta segunda-feira (12.10), à saída de uma reunião com o chefe de Estado, o novo primeiro-ministro, Carlos Correia, deu a entender que o Presidente recusou mais alguns nomes da lista entregue no sábado (10.10). “O Presidente insiste em tirar nomes da minha lista. Não vamos aceitar isso. Já fizemos todas as concessões necessárias para que pudéssemos ter um Governo”, afirmou Carlos Correia.

A tensão política tem vindo aumentar e fala-se em prisões arbitrárias. O PRS denunciou uma ameaça de morte, feita por telefone, contra o dirigente Florentino Mendes Pereira, ex-ministro da Energia.

O representante residente das Nações Unidas, Miguel Trovoada, espera que o país saia da crise. “Eu espero que seja muito brevemente ultrapassado. Faz dois meses que o país está sem Governo e isso traz prejuízos muito grandes. O impacto faz-se sentir a nível nacional, mas também há uma grande preocupação no plano internacional”, disse em entrevista à DW África.

Situação de desespero

O cenário de instabilidade preocupa os guineenses. Muitos funcionários públicos já não comparecem no local de trabalho. O líder do Sindicato Democrático dos Professores (SINDEPROF) alerta que o sistema educativo público também poderá ficar bloqueado se o impasse persistir.

Em todos os sectores tem surgido um grito de socorro para minimizar as dificuldades enfrentadas. Para o jogo da Selecção Nacional de Futebol agendado para esta terça-feira (13.10), em Bissau, o presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, Manuel Nascimento Lopes, teve de tirar dinheiro do próprio bolso, a título de empréstimo, para que a equipa possa defrontar a Libéria.

O cineasta guineense Flora Gomes ilustra com uma cena trágica a crise política no país. O realizador imagina toda a população a viajar num avião, que representa a Guiné-Bissau, em que se pensava estar “um bom piloto”.

“Só que de um momento para o outro, o piloto ficou cego e surdo. É um momento de desespero e, ao mesmo tempo, de revolta”, lamenta. (dw.de)

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