Golfo da Guiné: Segurança marítima

NSINGI MALONGUI Gestor e consultor (Foto: JEF)
NSINGI MALONGUI Gestor e consultor (Foto: JEF)
NSINGI MALONGUI
Gestor e consultor
(Foto: JEF)

Um dos temas mais falados dos últimos anos é a questão da segurança marítima mundial, particularmente na região do Golfo da Guiné e na Costa da Somália, pois, tem sido sobremodo afectada por acções criminosas, desde o tráfico de drogas e de seres humanos à pirataria e atraído consequentemente muita atenção da comunidade internacional, por se tratarem também de zonas estratégicas no que diz respeito ao comércio internacional, sobretudo em relação à pirataria.

A cimeira internacional sobre segurança marítima e energética, que Angola organizou em Luanda, conjuntamente com os seus parceiros EUA e Itália, vem revelar cada vez mais a vontade de os Estados de um modo geral combaterem estas acções criminosas, que têm estado a causar grandes prejuízos económicos e materiais às nações, por um lado, e, por outro, possibilitou ainda por parte de Angola colher ideias ou “inputs” de países que têm uma vasta experiência na matéria, para a posterior elaboração de uma estratégia de segurança marítima nacional mais adequada aos interesses nacionais, oportunidades e ao seu papel na região.

Apesar de não sermos tão afectados, podemos começar já a prevenir situações futuras, pois, nenhuma nação está totalmente segura. Uma das características mais importantes da globaliza- ção, e porque estamos globalizados, é, sem sombra de dúvida, o facto de a economia mundial assentar fundamentalmente no livre tráfego, onde os mares têm ganho cada vez mais relevância no contexto das trocas comerciais entre as nações.

Os mares são responsáveis por cerca de 90 por cento de todo o comércio internacional. Os prejuízos económicos causados pela pirataria nos mares são estrondosos, apesar de terem reduzido drasticamente nestes últimos anos por causa da intervenção militar de cada um dos Estados de forma isolada dentro da sua zona costeira, bem como das acções levadas a cabo pela Nato.

Se precisarmos do ponto de vista de números, um estudo realizado pelas Nações Unidas em parceria com a Interpol e o Banco Mundial concluiu que a pirataria traz um prejuízo anual na ordem dos 18 mil milhões de euros à economia mundial. O interesse dos piratas recai para os grandes petroleiros, que trafegam fundamentalmente na região do Golfo da Guiné, zona de intensa actividade petrolífera.

Falam por si os mais de três milhões de barris de petróleo extraídos por dia, vendidos no mercado negro, produzindo grandes lucros para os criminosos. Angola é um país exportador de petróleo e grande parte da sua riqueza é gerada pelo comércio desta comoditie, pois, os petroleiros também trafegam por esta região. Tem obrigado aos Governos a grandes esforços para contenção destas acções.

Os investimentos feitos em matéria de segurança marítima por parte de países como o Benin, Togo e a Costa do Marfim têm de certa forma prejudicado a realização de outras despesas também prioritárias, embora também tenham servido para diminuir 70 por cento do tráfico marítimo. A segurança é um aspecto primordial em qualquer relação de comércio, quer de cunho internacional, quer nacional.

A segurança marítima é um aspecto a ser priorizado por todos os Governos, principalmente por aqueles que desejam estabelecer-se como comerciantes regionais e globais de destaque no cenário mundial e que, todavia, procuram garantir o desenvolvimento saudável da sua economia. O isolamento não é a solução em momentos de crise e de instabilidade e não é benéfico para a economia, visto que pode trazer diversos problemas a longo prazo, tais como o afastamento de compradores internacionais, arrefecimento do crescimento económico, etc. Para combater a pirataria, é necessário haver uma melhor coordenação e partilha de informação entre os Estados costeiros e estabelecer-se determinadas medidas para a combater. (jornaldeeconomia.ao)

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