Garimpeiros deixam Talatona sem água

(D.R)

Os moradores de Talatona, Futungo e Benfica ficaram alguns dias sem abastecimento regular de água devido a uma ruptura provocada por garimpeiros na conduta de 400 milímetros da Empresa Provincial de Água de Luanda (EPAL), localizada na denominada rua do MAT, no Talatona, em Luanda.

(D.R)
(D.R)

O director de distribuição da EPAL para a Região Sul, Hélder Tona, disse ontem que os garimpeiros fizeram três interligações de conduta de 110 milímetros para um quintal onde montaram uma recauchutagem que servia de fachada enquanto abasteciam os camiões cisternas.

“Devido às denúncias de existência de uma ruptura na rua do MAT, deslocámo-nos ao local e constatámos que não se tratava de um ruptura normal, mas sim de garimpo de água”, disse.

Um grupo técnico da EPAL esteve no local a fazer os trabalhos de reparação da conduta, consubstanciados no corte do fornecimento de água aos Centros de Distribuição de Talatona, Futungo e Benfica 1 para diminuir a pressão, realização de escavações até ao nível dos furos feitos pelos garimpeiros, retirada de toda a água no interior da conduta e finalmente o encerramento das três interligações ilegais.

“Vamos trabalhar no sentido de ainda hoje (ontem) termos a conduta reparada e depois abrirmos o abastecimento normal à população”, garantiu Hélder Tona, acrescentando que o garimpo de água tem sido o grande calcanhar de Aquiles da EPAL, na medida em que muitos bairros de Luanda têm sido prejudicados em função da exploração ilegal de água.

“Cerca de 40 por cento de toda a nossa produção é desviada pelos garimpeiros, ou seja, aos nossos centros de distribuição apenas chega 60 por cento da produção. Por isso, continuamos a viver problemas de falta de água”, afirmou o director de distribuição da EPAL para a Região Sul.

Todo aquele corredor entre a Rotunda da Fubu e o Talatona, Samba e Calemba 2, é apontado como zona onde se registam muitos casos de garimpo de água, na medida em que os garimpeiros voltam sempre a reabrir as condutas, mesmo depois de serem reparadas pelos técnicos da EPAL.

“Fazemos a reparação da conduta, mas um mês depois, quando fazemos o trabalho de fiscalização ou recebemos denúncias, encontramos novas interligações clandestinas. Basicamente, toda a região sul e sudeste de Luanda é fértil em casos de garimpo de água”, sublinhou.

Hélder Tona garantiu o engajamento da EPAL no sentido de continuar a levar o precioso líquido aos consumidores e o combate cerrado ao garimpo de água em Luanda. Por isso, exortou a população a denunciar todos os casos de exploração ilegal de água.

“A população tem estado a colaborar com a EPAL na denúncia desses casos, mas muitas vezes, por receio de represálias por parte dos garimpeiros, não o têm feito. Se todos denunciassem, teríamos o problema resolvido e alcançado o objectivo de levar regularmente água a toda população”, referiu.

A exploração de água pelos garimpeiros, disse, é realizada com técnicas improvisadas que causam rupturas nas condutas adutoras, infiltração de resíduos sólidos na tubagem e contaminação da água, provocando assim problemas de saúde à população. (jornaldeangola.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA