Enoturismo da Quinta Nova deixou de dar prejuízo, reforçando posição em Angola

(Foto: D.R.)
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O negócio de vinhos do grupo Amorim gerou receitas de 2,3 milhões de euros no ano passado, sendo um quarto asseguradas pelo turismo. Apesar da crise conseguiu “manter a posição” no mercado angolano.

O negócio do enoturismo da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, que inclui um hotel rural de luxo com 11 quartos no Douro, deixou finalmente de dar prejuízo, dez anos depois de o projecto ser iniciado. A administradora, Luísa Amorim, assinalou esta quinta-feira, 22 de Outubro, que este segmento já se paga a si próprio embora não dê lucro, destacando, porém, ser “importante pelo marketing” e por “ajudar a estruturar muito o projecto”. Franceses, alemães e americanos são as principais nacionalidades dos visitantes.

Em 2014, o enoturismo contribuiu para 24% das receitas totais de 2,3 milhões de euros, acima dos dois milhões do ano anterior, registadas pela empresa de vinhos da família Amorim, cuja gestão está a cargo da filha mais nova do homem mais rico de Portugal, com uma fortuna avaliada pela Forbes em 4,3 mil milhões de euros. Das 300 mil garrafas de vinho “premium” e “super premium” produzidas nesta propriedade de Covas do Douro, em Vila Real, perto de 50% foram comercializadas no estrangeiro.

Suíça, Reino Unido, Estados Unidos e Angola – onde tem conseguido “manter a [sua] posição” apesar da crise – são os principais mercados externos numa lista de onde saiu a Rússia. A marca Quinta Nova vale metade das vendas, sendo as restantes divididas pelas outras marcas (Pomares, Grainha e Mirabilis) criadas pela empresa em que trabalham 30 funcionários fixos e outros tantos variáveis nas épocas altas da produção.

“Somos uma empresa pequena em quantidades, mas com alguma dimensão em volume de negócios no Douro. No vinho do Porto seremos sempre pequenos, mas mal seria se não gostássemos dele e não o tentássemos fazer bem”, descreveu Luísa Amorim. Só 11% da produção da propriedade, com 120 hectares de área total e 85 hectares de vinha, é destinada ao vinho português mais famoso em todo o mundo.

Esta quinta com 250 anos de história passou para as mãos da família Amorim em 1999, quando o grupo comprou a Burmester, conhecida sobretudo pelo vinho do Porto. Em 2005 acabou por vender as caves e também as marcas dessa empresa aos espanhóis da Sogevinus – que agora é dominada pelo banco venezuelano Banesco -, tendo ficado com a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e também a Quinta de S. Cibrão, em Sabrosa.

Qualidade compensa “catástrofe” na produção
Durante a apresentação dos novos vinhos da colheita de 2013, que estão agora a chegar ao mercado, a administradora sublinhou que esse foi “um ano muito atípico na região, em que choveu sempre nas alturas erradas” e em que tiveram também um problema grave no sistema de bombagem da água do rio. Em termos de produtividade foi “uma catástrofe”, com a produção por hectare limitada a 2.800 quilos, ou seja, 35% abaixo da média.

Foi assim com uma produção muito mais curta que a equipa de enologia chefiada por Jorge Alves teve de trabalhar estes vinhos, cujo preço médio subiu aproximadamente de 28 para 32 euros nos brancos e de 70 para 90 euros nos tintos. O que justifica esta valorização na política de preços? “A tendência é para os vinhos bons do mundo não estarem mais baratos. Acreditamos na nossa qualidade e sentimos mercado para os vinhos do Douro, que não é a região mais cara, mas também não é a mais barata. Os clientes estrangeiros nem discutem o preço. Para se ter preço tem de se ter qualidade e é preciso também notoriedade de marca, que se vai construindo”, respondeu Luísa Amorim. (jornaldenegocios.pt)

Por: António Larguesa

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