Disputa eleitoral acirrada na Tanzânia

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“Batalha de titãs” marca eleição presidencial polarizada entre o candidato do partido no poder e ex-primeiro-ministro que juntou-se à oposição. País teme violência com possível ameaça de manipulação de resultados.

A acirrada disputa eleitoral na Tanzânia ameaça a estabilidade num dos países mais pacíficos de África. Nas eleições gerais marcadas para este domingo (25.10), oito candidatos concorrem à presidência, entre eles, uma mulher, algo inédito na história política do país.

Os principais adversários são John Magufuli, candidato do partido no poder, o CCM (Chama Cha Mapinduzi), e o ex-primeiro-ministro Edward Lowassa, lançado por uma coligação oposicionista. Os discursos de ambos têm sido marcados pelo combate à corrupção.

Esta é a quinta vez que o país realiza eleições desde a restauração do sistema multipartidário em 1992. O Presidente em exercício, Jakaya Kikwete, já cumpriu dois mandatos e, por isso, fica proibido de disputar um terceiro.

A candidatura de John Magufuli, atual ministro do Trabalho, foi uma surpresa. Alguns dizem que a nomeação foi um “acidente político” e que isso pode interferir nas chances de o partido se manter no comando do país.

Rejeitado pelo CCM, Edward Lowassa concorre pela União dos Defensores da Constituição do Povo, uma coligação formada por quatro partidos da oposição, que tem esperanças de conseguir mais assentos no Parlamento. O ex-primeiro-ministro renunciou ao cargo após acusações de corrupção, mas as denúncias nunca foram comprovadas.

Risco de violência

A possibilidade de manipulação dos resultados das eleições pode aumentar as chances de violência. Segundo a Comissão Nacional Eleitoral tanzaniana, alguns partidos políticos estariam a planear converter suas forças jovens em milícias.

O escritor e analista Attilio Tagalile diz que a denúncia também é válida para o próprio governo. “O primeiro a formar grupos deste gênero foi o partido no poder. Eles tinham o que chamaram de ‘Guarda Verde’. Logo, outros partidos fizeram o mesmo. Veio a ‘Guarda Azul’ e a ‘Guarda Vermelha’. São grupos perigosos, não reconhecidos legalmente, que em época de eleições podem ser usados para incitar a violência”, alerta.

As eleições também serão realizadas no arquipélago semi-autónomo de Zanzibar, onde também há uma disputa acirrada entre o partido no poder CCM e a oposição. Além de escolher o Presidente da República da Tanzânia e os membros do Parlamento da União, os eleitores deverão votar para o novo Presidente do Zanzibar e os novos membros da Câmara de Deputados. (dw.de)

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