Deutsche Bank elege BPI como um dos preferidos na banca ibérica

(Foto: D.R.)
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A entrega dos activos africanos do BPI aos accionistas afasta as questões regulatórias e impulsiona potenciais cenários de consolidação. Esta é a perspectiva do Deutsche Bank, que elevou o preço-alvo do BPI e colocou-o entre os melhores de Portugal e Espanha.

O Deutsche Bank  reviu em alta o preço-alvo para o BPI  de 1,05 para 1,25 euros e subiu a recomendação de “manter” para “comprar”. Uma decisão que levou o banco alemão a colocar o BPI entre as suas instituições preferidas na Península Ibérica. O foco está na separação dos activos africanos, que deverá reduzir os receios regulatórios e poderá até impulsionar a consolidação em Portugal.

“Melhorámos o BPI de ‘manter’ para ‘comprar’, depois da proposta de separar os seus activos africanos, o que para nós leva a um claro caminho de consolidação do sector bancário português, potencialmente envolvendo o CaixaBank”, afirma Raoul Leonard, numa nota de análise a que o Negócios teve acesso. O analista do Deutsche Bank explica que “esta cisão, sujeita à votação dos accionistas e a um número de aprovações regulatórias, deverá resolver a violação dos limites a grandes exposições” a Angola. A decisão é, por isso, “uma boa notícia para a acção e evidencia que os principais accionistas, incluindo o CaixaBank, estão a trabalhar de forma construtiva”.

O Deutsche Bank destaca, contudo, que “a rentabilidade doméstica do BPI é fraca – mas está a melhorar -, impulsionada pelo seu baixo risco, mas uma menor margem nos empréstimos e um rácio entre o custo e o rendimento de 75%”. Além disso, “Portugal gerou 19% dos lucros do grupo no segundo trimestre de 2015”, sendo que o BPI tem no território nacional “34 mil milhões de euros em activos e empréstimos de 23 mil milhões”. E Raoul Leonard acrescenta que “o rácio ‘Core Tier 1’ doméstico era de apenas 9,0%, face aos 9,1% de todo o grupo”.

Mas é nestes números que o Deutsche Bank vê a oportunidade. “Excluindo os problemas regulatórios relacionados com África, o BPI, enquanto negócio doméstico, torna-se um parceiro ou alvo de fusões e aquisições mais interessante, no que toca a uma futura consolidação doméstica”, explica o banco alemão. Porquê? “Isto deve-se à qualidade sólida dos seus activos domésticos, equipa de gestão experiente e quota de mercado de 10%”, conclui.

Feitas as contas, o Deutsche Bank aponta que “uma evolução pior do que o previsto das receitas líquidas domésticas, particularmente se os ‘spreads’ de financiamento às empresas estabilizarem e o crescimento dos volumes regressar”, constitui um risco à avaliação do BPI. E acrescenta que um risco é também “o falhanço na execução da proposta de separação dos activos africanos”.

Receitas penalizadas pela desvalorização do kwanza

Com a apresentação de resultados do terceiro trimestre agendada para 28 de Outubro, o BPI deverá revelar lucros de 37 milhões de euros no período, estima o Deutche Bank. Um resultado que, a verificar-se, será uma melhoria face aos prejuízos de oito milhões no período homólogo.

“Prevemos que as receitas domésticas mantenham-se estáveis face ao segundo trimestre, com a melhoria nas receitas líquidas a contrabalançar o efeito das menores taxas de rendimento sazonais”, explica o banco alemão. Já no que toca às receitas consolidadas, a instituição acrescenta que “a principal causa para uma diminuição será a desvalorização do kwanza face ao euro, que caiu 14%”. (jornaldenegocios.pt)

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