Democracia em Angola é um edifício em construção

Embaixador de Angola em Espanha, Victor Lima (Foto: Pedro Parente)
Embaixador de Angola em Espanha, Victor Lima (Foto: Pedro Parente)
Embaixador de Angola em Espanha, Victor Lima (Foto: Pedro Parente)

O embaixador de Angola no Reino de Espanha, Victor Lima, afirmou hoje (quarta-feira) que a democracia em Angola é um edifício em que se está a construir paulatinamente, num esforço de aprendizagem constante.

De acordo com o diplomata, é necessário o envolvimento de todos e que as forças políticas se eduquem no sentido de distinguir os actos de oposição dos de subversão.

“Pelas suas especificidades, às quais ainda acrescem factores potencialmente perturbadores associados aos resquícios de guerra, os angolanos sabem que a estabilidade constitui o principal valor político nacional, antes de qualquer outro. Sem ela nada mais é realizável com sucesso, por melhores que sejam as intenções”, frisou.

Victor Lima fez esta observação quando intervinha na qualidade de convidado do Centro Superior de Estudos de Defesa Nacional (CESEDEN), para fazer uma reflexão sobre o tema “Angola e a sua importância geo-estratégica na África Austral e Central: Uma experiência nacional com repercussões internacionais”, no âmbito do 54º curso monográfico de Defesa Nacional, dirigido a políticos, altas patentes das forças armadas e da Guarda Civil de Espanha, além de personalidades da sociedade civil com grande relevância do sector económico e social.

No acto, igualmente enquadrado no programa dos 40 anos da independência de Angola, a assinalar em 11 de Novembro, que a representação diplomática agendou, o político referiu que “a República de Angola é uma realidade complexa e dificilmente será compreendida nos dias de hoje por quem a observa de longe e a espaços, muito particularmente se desconhecem os aspectos fundamentais da sua história recente e a idiossincrasia do seu povo”.

Victor Lima contou as diversas etapas de luta do povo angolano, desde a independência aos vários cenários que a caracterizam até a implementação da democracia.

“Depois de ensaiadas várias soluções para o conflito angolano sob a égide da ONU, a única fórmula que conduziu realmente à paz residiu na fragilização ou derrota de uma das partes em confronto: a que usou armas contra a democracia. Ficou muito claro para os angolanos que não havia outro caminho. Nos conflitos militares em África, não se alcança a paz em circunstância de match nulo”, precisou.

“Além disso, as soluções inclusivas, ou melhor, aquelas que não excluem os vencidos no campo de batalha, mesmo encerrando riscos, são, pelo seu profundo sentido humanista, as que se revelam mais consistentes como base de solução dos conflitos em África e talvez não só. Esta é uma experiência genuinamente angolana, que não tem paralelo na história das guerras recentes deste mundo, pois o Presidente da República de Angola sempre considerou que não há expressão maior de respeito pelos direitos humanos do que preservar a vida e a dignidade de combatentes inimigos em situação crítica”, realçou o diplomata.

Segundo Victor Lima, são lições muito duras com a guerra e ao mesmo tempo acumulou-se um vasto capital de experiência sobre como lidar com conflitos regionais e internos em África, que hoje se tem revelado de grande utilidade no quadro dos esforços em curso no continente, com forte contribuição de Angola, para equacionar fórmulas capazes de garantir a estabilidade do Golfo da Guiné, da região dos Grandes Lagos e da África Central.

Angola, disse, é uma Nação com enormes potencialidades, dotado de abundantes e variados recursos naturais, em que o petróleo e os diamantes são os mais conhecidos a nível internacional e constituem a principal fonte de receitas, mas nem por isso suficientes, por enquanto, para atender as imensas necessidades de reconstrução de um país antes totalmente destruído ao fim da guerra em 2002, e onde, por paradoxal que pareça, o mais difícil era definir a ordem das prioridades dentro de um universo vasto de realizações.

O embaixador de Angola no Reino de Espanha afirmou que num contexto de tão grandes desafios o governo estabeleceu como tarefas fundamentais cumprir as metas estabelecidas pelas Nações Unidas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015, no âmbito das quais delineou programas que têm por finalidade resolver o grave problema da pobreza e proporcionar uma vida digna a todos os angolanos.

“Os resultados desta acção do governo angolano são vistos em África e referidos por prestigiadas organizações internacionais como um modelo de sucesso na construção das bases sobre as quais deverão assentar o desenvolvimento humano, económico e social no Continente Africano”, observou.

O diplomata reafirmou o empenho e determinação dos angolanos, do governo e das instituições que conformam o Estado, na construção de uma Nação forte e unida na diversidade cultural, religiosa e outras que a caracterizam, sobre uma base em que têm total relevância todos os pressupostos das democracias modernas pelo quais se rege Angola há mais de duas décadas.

“Em Angola não há nenhum equívoco sobre o rumo a seguir, pois a prática tem demostrado que o respeito e a observância de todos os fundamentos da democracia é uma escolha acertada e a única capaz de acomodar os diferentes interesses de todos os actores políticos nacionais que encaram o presente e o futuro de Angola com seriedade e responsabilidades”, acrescentou.

Victor Lima realçou ainda que esta é uma questão fundamental que deriva da realidade concreta angolana e não da que se constrói virtualmente e desvirtua a verdade sobre o país, onde cada passo na edificação dos pilares sobre os quais assentam o desenvolvimento e a democracia devem ser dados de forma segura para evitar perigosas posturas fracturantes. (portalangop.co.ao)

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