Defendida a preservação do património

(Foto: Santos Pedro)

O décimo Fórum de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola (ULA) recomendou em Luanda a preservação absoluta do património como forma de identidade, por ser capaz de gerar riqueza, até 30 por cento, para o Orçamento Geral do Estado.

(Foto: Santos Pedro)
(Foto: Santos Pedro)

Realizado sob o lema “Estado da Arte”, o Fórum, realizado entre segunda e sexta-feira, reconheceu a importância do arquitecto africano, quer na sua identidade como na sua formação, e a sua intervenção nos espaços do musseque, oferecendo assistência social à comunidade que desenvolve a autoconstrução.

No Fórum, realizado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola, na capital, os participantes concluíram que é preciso dar solução às necessidades básicas para se atingir a qualidade de vida nos musseques.

O encontro, que debateu em quatro dias vários temas e realizou oficinas de projectos, passeios guiados, exposições, feiras e bazares, teatro e música, premiou a Faculdade de Arquitectura, Artes e Designer da Universidade de Joanesburgo, a Universidade Lusíada de Angola e a Universidade Metodista de Angola. Menções honrosas foram entregues à Escola Internacional de Artes de Mindelo (Cabo Verde) e à Universidade Politécnica da Namíbia.

A curadora do fórum, Ângela Mingas, disse que o Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola desenvolve um trabalho de investigação sobre os musseques desde 2010.

O Fórum de Arquitectura, organizado anualmente no mês de Outubro, pela Universidade Lusíada,  fez este ano estudos no musseque do Catambor, distrito urbano da Maianga, que, com as pesquisas já existentes, vai ser proposto no novo formato de intervenção dos musseques de Luanda.

A arquitecta e docente universitária acrescentou que uma das premissas fundamentais é a reabilitação dos espaços públicos, ou seja, fazer a optimização do lugar de acordo com os programas das Nações Unidas de intervenção dos musseques, nomeadamente UP Great Slimes que, traduzido para português, é “Eu Sou um Fazedor de Cidades”.

“Está comprovado que a deslocalização das populações é uma forma de aumentar a sua pobreza, de as colocar longe das suas fontes de riqueza e, em algumas circunstâncias, é considerada de segregação”, referiu.

A arquitecta Ângela Mingas defende que as ruas dos musseques têm de ser  infra-estruturadas e tem de haver praças, espaços livres e jardins, centro médico, sem demolir na totalidade as casas.

Durante o Fórum, o especialista Mathias Spaliviero, da ONU Habitat para África, manifestou a intenção da assinatura de um protocolo de entendimento entre a sua organização e o Centro de Estudos e Investigação Científica de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola, para dar suporte ao projecto de pesquisa sobre a rede integrada dos espaços informais em Angola.

Na conferência sobre património e qualidade de vida das cidades, que contou com a participação do Ministério do Urbanismo e Habitação, os arquitectos concluíram que, dentro da escala da qualidade de vida do espaço público em Angola, existem quatro fases, designadamente a necessidade de serviços básicos, de segurança, de estética e a presença de serviços da administração do Estado.

Um manifesto de boas práticas para o desenvolvimento da arquitectura foi apresentado pelo arquitecto brasileiro João Suplicy, presidente da Federação Panamericana das Associações dos Arquitectos.

O certame contou com participação de uma dezena de universidades nacionais e de cinco estrangeiras, oriundas do Panamá, Namíbia, África do Sul e Cabo Verde.Contou ainda com a presença de especialistas de Portugal, Brasil, Ghana, Moçambique e da Agência das Nações Unidas para a Habitação. (jornadelangola.ao)

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