Costa vai reunir-se com todos para uma “primeira avaliação” e atira a Cavaco

(MIGUEL A. LOPES / LUSA)
(MIGUEL A. LOPES / LUSA)
(MIGUEL A. LOPES / LUSA)

António Costa diz que comunicado do Presidente da República desta terça-feira foi “bastante atípico” e recebe mandato para dialogar da direita à esquerda para fazer “primeira avaliação das possibilidades que existem” para a formação do governo. PS não apoia nenhum candidato presidencial na primeira volta das eleições de Janeiro de 2016.

O líder socialista recebeu, na madrugada desta quarta-feira, aval da maioria da Comissão Política Nacional do partido para “falar com o conjunto das diferentes forças partidárias para saber da disponibilidade que têm” para encontrar “condições de governabilidade”. António Costa comprometeu-se a “fazer uma primeira avaliação das possibilidades que existem”.

Depois de quatro horas de reunião, que terminou já depois das duas da manhã, a Comissão Política do PS aprovou com 64 votos a favor, quatro contra e três abstenções um documento onde António Costa inscreveu como “indispensável a clarificação das posições publicamente assumidas pelo PCP e pelo BE sobre as condições para a formação de um novo governo com suporte parlamentar maioritário”.

À saída da reunião, o socialista assumiu que “havendo um partido com mais deputados é natural que lhe caiba o ónus para encontrar soluções de governabilidade. Teremos naturalmente de ouvir o que o PSD tem a dizer sobre isso, mas devemos falar com todas as forças políticas”. Ainda rejeitou o “conceito do arco da governação”, para justificar a abertura do diálogo a todos, sublinhando que não pode “ignorar” o que o PCP já disse depois dos resultados eleitorais de domingo e também “que o Bloco de Esquerda repetiu o que tinha dito no debate” televisivo (em que Costa esteve frente-e-frente com Catarina Martins). Reuniões marcadas é que ainda não há. “Já é tarde para estar a ligar às pessoas”, disse Costa que gracejou: “A esta hora só o professor Marcelo está acordado.”

Também falou sobre a hipótese do Bloco Central, mas para rejeitá-la. “Não acho saudável que as principais forças políticas, salvo numa invasão de marcianos, partilhem responsabilidades governamentais”, isso “diminui as opções governativas”. E este não é o único ponto em que Costa tem uma posição fechada, o mesmo acontece em relação ao que disse o Presidente da República esta terça-feira. António Costa também se distancia das palavras de Cavaco Silva considerando “bastante atípico” que o Chefe de Estado tenha falado ao país sem ouvir as outras forças políticas – “não basta falar com o líder do seu partido” -, apontando para as normas constitucionais para dizer que Cavaco recorreu a  “figuras novas, relativamente atípicas, que não contribuem para boas soluções de estabilidade”. Costa até começou por dizer não considerar “muito construtivo” comentar a comunicação do Presidente, mas acabou por fazê-lo.

PRESIDENCIAIS Na mesma reunião, os socialistas aprovaram ainda a proposta do secretário-geral para que os militantes tenham liberdade de voto na primeira volta das eleições para a Presidência da República. Costa convocou os socialistas para “unirem esforços para passar à segunda volta e vencer as eleições”. No documento que aprovou esta quarta-feira, o líder socialista inscreveu como justificação para esta decisão o facto de existirem “duas candidaturas presidenciais relevantes nas pessoas da Drª Maria de Belem e do Prof. Doutor Sampaio da Nóvoa, que têm merecido importantes e significativos apoios na sociedade portuguesa e entre os militantes PS”. O texto refere ainda que não existem condições para “organizar em tempo oportuno eleições primárias” para  escolha do candidato presidencial apoiado pelo PS, mas Costa diz que o partido deve “fazer da primeira volta das presidenciais as primárias” e que, com liberdade de voto, evita “fracturas” no partido.

A liberdade de voto das presidenciais já tinha sido comentada, antes das declarações de Costa, por Álvaro Beleza. Mas o socialista que tem sido o rosto da oposição interna no partido também falou da posição negocial do PS para  formação do governo para recusar “meias tintas”. Beleza diz que o partido deve dizer “com clareza que não está disponível para fazer de imediato um governo de frente esquerda”, apesar de admitir que isso “até pode vir a acontecer nesta legislatura”, mas não agora. “Não podemos fazer truques e habilidades”, disse o socialistas que considera que “o PS será governo quando ganhar as eleições”. “Nunca seremos muleta de um governo de esquerda radical”, afirmou o socialista que votou contra a proposta do secretário-geral do partido.

No texto que António Costa fez aprovar na reunião socialista, estão elencadas as linhas vermelhas com que o PS parte para esta ronda negocial: “virar de página na política de austeridade e na estratégia de empobrecimento”; “a defesa do Estado Social e dos serviços públicos, na segurança social, saúde e educação”; “relançar o investimento na Ciência e na Inovação”; “respeito pelos compromissos europeus e internacionais, para a defesa dos interesses de Portugal e da economia portuguesa e da União Europeia , para um apolítico reforçada de convergência e coesão”. (ionline.pt)

por Rita Tavares

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA