Construção em zonas húmidas causa evasão de aves migratórias

Director nacional para Biodiversidade, Joaquim Manuel (Foto: Angop/Arquivo)
Director nacional para Biodiversidade, Joaquim Manuel (Foto: Angop/Arquivo)
Director nacional para Biodiversidade, Joaquim Manuel (Foto: Angop/Arquivo)

O director nacional para a Biodiversidade do Ministério do Ambiente, Joaquim Manuel, advertiu hoje (segunda-feira), em Luanda, que a construção de infra-estruturas em zonas húmidas altera a rotina das aves que ali viviam e pode diminuir a quantidade de água do manto freático da zona.

Joaquim Manuel falava à Angop a propósito do desaparecimento da zona húmida das ex-salinas de Cacuaco, em Luanda, local onde está a crescer infra-estruturas de vária índole, uma situação que causou a migração das aves que tinham no local seu habitat.

“Infelizmente as aves migratórias desta zona de Cacuaco não tiveram outra alternativa a não ser a migração. As mesmas deslocaram-se para uma zona mais próxima com as características anteriores, para o pouso e alimentação e muitas das vezes, para a reprodução”, lamentou Joaquim David.

O responsável lembrou que as questões ambientais também são da responsabilidade dos governos provinciais, municipais e comunais, que devem tratar de forma afincada nas suas áreas de jurisdição.

Estes, de acordo com Joaquim Manuel, devem apresentar programas em prol do ambiente, visto que o Ministério do Ambiente tem a responsabilidade em acompanhar do ponto de vista didáctico.

“A responsabilidade do Ministério é a elaboração de políticas e estratégias nacionais para o efeito e o acompanhamento da sua implementação a todos os níveis de governação”, disse o responsável.

Joaquim Manuel deu a conhecer que, as zonas húmidas em Angola estão sem um programa de gestão, apesar de ter sido elaborado o programa de gestão e a identificação das zonas em todo o país, com vista a sua administração integral.

Numa primeira fase, o referido programa iniciará com 11 zonas que serão aumentadas de acordo com as condições financeiras disponíveis.

Este programa, com uma lista de 11 zonas húmidas, já foi aprovado pelo Governo neste ano. “A lista fará parte do anexo à carta de Adesão à Convenção de Ramsar, visto que a mesma não carece de aprovação da Assembleia Nacional”, disse a fonte.

No entanto, para a adesão a referida Convenção é recomendada aos países interessados a apresentação de pelo menos uma zona húmida de importância internacional para constar na Lista de Sítios Ramsar.

Neste contexto, o Ministério do Ambiente, em colaboração com o Secretariado da Convenção de Ramsar, identificou como zonas húmidas candidatas a Lagoa do Carumbo (Lunda Norte), do Arco (Namibe), Saco dos Flamingos (Luanda), Mangais da Foz do Rio Chiloango (Cabinda), complexo Lagunário de Saurico (Bengo), Lagoa do Calumbo (Luanda) e Baia do Lobito (Benguela).

O Complexo de Zonas Húmidas de Kumbilo (Cuando Cubango), o troço do rio Kwanza da Muxima/Barra do Kwanza/Luanda, a lagoa da Quilunda (Luanda) e as Chanas do Parque Nacional da Cameia/Moxico são outras zonas húmidas eleitas.

“O maior desafio será o angariamento de financiamento, mas já temos conversado com os responsáveis do Secretariado da Convenção de Ramsa, que manifestou disponibilidade em ajudar numa primeira fase da implementação do programa”, concluiu. Um Sítio Ramsar é considerado Património Mundial e uma área de conservação de categoria VI, cuja gestão e conservação tem a comparticipação técnico-financeira de instituições e ONG internacionais. (portalangop.co.ao)

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