“Com mais empenho, teríamos cumprido mais metas do milénio”

(Edlena Barros)
(Edlena Barros)
(Edlena Barros)

São Tomé e Príncipe deverá cumprir este ano três dos oito Objetivos de Desenvolvimento. Uma das metas mais importantes não será atingida: reduzir significativamente a extrema pobreza e fome. Governo faz “mea culpa”.

São Tomé e Príncipe deverá conseguir atingir este ano três dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Passados 15 anos do estabelecimento das metas, a educação primária para todos está assegurada, houve uma redução drástica da taxa de mortalidade infantil e muitas melhorias na saúde materna.

Também houve uma tendência positiva no combate à malária e ao VIH/SIDA e na promoção da sustentabilidade ambiental.

Mas o Governo são-tomense reconhece que a meta de redução da pobreza está longe de ter sido atingida, apesar de ter elaborado duas estratégias nacionais de combate à fome.

“Era suposto que, em 2015, apenas 18% da nossa população continuasse a viver abaixo do limiar da pobreza, com menos de um dólar por dia. De acordo com os dados do último inquérito ao orçamento familiar, continuamos muito longe desse objetivo”, afirmou Agostinho Fernandes, ministro da Economia e Cooperação Internacional.

Em 2001, 53,8% da população vivia em situação de pobreza e em 2014, 49,6 %. No mesmo período, houve uma redução da extrema pobreza em apenas 4%, de 15,1 para 11,5%.

14% da população são-tomense está desempregada, particularmente os jovens.

Segundo Agostinho Fernandes, “com mais trabalho, empenho e melhor aplicação dos recursos disponíveis, poderíamos ter conseguido melhores resultados em prol de uma vida melhor para toda a nossa população.”

Instabilidade política e desequilíbrio orçamental

Cidadãos entrevistados pela DW África justificam o incumprimento da maior parte dos objetivos com a “falta de união”, desorganização e “falta de consensos partidários” no país.

Na opinião de um dos parceiros de São Tomé e Príncipe, o coordenador do sistema das Nações Unidas, José Salema, as dificuldades económicas do país também pesaram.

“A economia do país também não é saudável. É difícil trabalhar num país onde o volume de exportações é de 12 milhões de dólares por ano, com os recursos que existem, mas o volume de despesas é de 160 milhões de dólares. Essa diferença tem de ser superada e é aí que os parceiros procuram ajudar.”

Contrariamente ao que aconteceu com os oito Objetivos do Milénio (ODM), a elaboração dos novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que têm como horizonte o ano 2030, já contou com o envolvimento dos países, nomeadamente São Tomé e Príncipe.

O país poderá eleger o número de objetivos a cumprir, sendo cinco o mínimo. (dw.de)

por Juvenal Rodrigues (São Tomé)

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