Colômbia: Bogotá mantém ofensiva ao ELN após ataques a militares

ministro colombiano da Defesa, Luis Carlos Villegas (Foto de Guillermo Legaria/AFP/Arquivos)
ministro colombiano da Defesa, Luis Carlos Villegas (Foto de Guillermo Legaria/AFP/Arquivos)
ministro colombiano da Defesa, Luis Carlos Villegas (Foto de Guillermo Legaria/AFP/Arquivos)

Depois de um ataque letal a uma missão eleitoral, o governo da Colômbia anunciou nesta terça que manterá a ofensiva contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha do país, em meio às conversações sobre sua adesão ao processo de paz em curso.

“As Forças Armadas manterão, em qualidade e em quantidade, as operações contra a guerrilha do ELN”, afirmou o ministro colombiano da Defesa, Luis Carlos Villegas, no final de um conselho de segurança extraordinário liderado pelo presidente Juan Manuel Santos.

Na segunda-feira, as autoridades em Bogotá informaram que o ataque contra a missão eleitoral matou 11 soldados e um policia, além de ferir outros três militares e fazer seis desaparecidos, entre civis e militares.

Na manhã desta terça, dois funcionários eleitorais foram encontrados a salvo, e o governo admitiu a captura de outros dois membros do grupo.

Segundo as autoridades, não há informações sobre um policia e um guia indígena da comunidade U’wa desde o ataque cometido na remota reserva indígena de Bachira, no município de Güicán (Boyacá).

Na noite desta terça, um comunicado do ELN informou que o ataque matou 17 militares e um policia, e que dois militares foram capturados.

“Tropas da frente de Guerra Oriental comandante Manuel Vásquez Castaño (..) atacamos uma patrulha do Exército governamental na zona rural do município de Güicán”, revela no Twitter a Rádio Nacional Pátria Livre (Ranpal), que divulga as notícias do ELN.

O ataque provocou “17 soldados e um policia mortos e alguns feridos”, e permitiu a captura “dos soldados profissionais” Andrés Felipe Pérez e Klieder Antonio Rodríguez, que estão em “perfeito estado de saúde”.

O grupo rebelde revelou ainda que os dois militares detidos “serão libertados nos próximos dias, para o qual exigiremos garantias de segurança por parte do governo nacional”.

Na véspera, o presidente Santos disse que “o ELN não entendeu que este é o tempo da paz, e não o tempo da guerra. Se acha que, com esses actos, vai ganhar espaço político, ou se fortalecer em uma eventual negociação, está totalmente enganado. É exactamente o contrário”.

“Ordenei ao ministro da Defesa e às Forças Armadas que redobrem os esforços, que intensifiquem suas acções militares contra essa organização”, enfatizou.

Desde Janeiro de 2014, o governo avança em discussões preliminares com o ELN para iniciar um processo de paz formal, paralelo ao que já realiza com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal e mais antigo grupo rebelde do país, para pôr fim a uma guerra interna que deixou 220.000 mortos e envolveu guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado.

As partes não conseguiram chegar a um acordo para o início efectivo dos diálogos, apesar das reuniões há alguns dias consideradas como “bem-sucedidas” pelo presidente do Equador, Rafael Correa. Foi no país vizinho que aconteceram vários desses encontros.

Dois soldados sequestrados

Nesta terça pela manhã, dos seis desaparecidos, dois funcionários eleitorais foram encontrados e estão a salvo, enquanto outras duas pessoas estão em poder da guerrilha, segundo as autoridades. Ainda não há informações sobre um elemento da Polícia e sobre um guia indígena da comunidade U’wa. Ambos acompanhavam a missão.

Em pronunciamento oficial pela televisão, transmitido da Casa de Nariño (Presidência), nesta terça, Villegas informou que os dois soldados desaparecidos foram sequestrados pelo ELN.

O ministro responsabilizou o grupo rebelde “pela vida e pela integridade” dos dois militares feitos reféns. Em cumprimento à ordem do presidente Santos – garantiu -, vão continuar “as operações que este ano acarretaram duros golpes nessa organização armada”. Segundo números oficiais, o ELN conta com cerca de 2.500 combatentes.

Ainda segundo o ministro, “367 membros do ELN foram neutralizados e, desses, 113 se desmobilizaram por pressão das Forças Armadas, 212 foram capturados, e 42, abatidos”.

O comandante do Exército da Colômbia, general Alberto Mejía, anunciou a captura de três suspeitos de terem cometido o ataque.

“Ofensiva militar contra #ELN em #Güicán #Boyacá, tem primeiros resultados: 3 capturados, um deles ferido e atendido x tropas”, escreveu Mejía, em sua conta no Twitter.

Depois da “emboscada” atribuída ao ELN, “os funcionários não conseguiram mover-se e ficaram lá, escondidos, esperando”, disse à AFP Elisabeth Monsalve, delegada em Boyacá do órgão que administra o processo eleitoral.

Os funcionários viajaram até a região para instalar uma secção eleitoral, que receberia cerca de 100 eleitores no domingo. Militares e policiais faziam a protecção nesse local montanhoso, em plena Serra Nevada de El Cocuy.

“As comunicações no sector são extremamente difíceis. Eles estão com telefone por satélite, mas conseguiram comunicar-se apenas esta manhã”, relatou Monsalve, acrescentando que o grupo seria transportado em um helicóptero do Exército para Güicán.

Antes desse ataque, as eleições de domingo haviam sido consideradas pelo presidente Santos as mais pacíficas da história do país. (afp.com)

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