Cinco anos para mudar a face do Lobito

(Foto: D.R.)
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O governo provincial de Benguela quer que a aprovação do novo projecto de requalificação da cidade do Lobito aconteça em Janeiro de 2016. A pretensão foi manifestada durante um animado debate sobre o tema ocorrido na sede da administração municipal do Lobito

Num encontro na cidade do Lobito promovido pelo Governo Provincial de Benguela e que contou com participação de empresários, arquitectos e professores universitários, o governador Isaac dos Anjos assumiu ser necessário que a Administração Municipal do Lobito tome a iniciativa no arranque das obras de requalificação e que não se deixe ficar dependente das empresas. Isaac dos Anjos considera que esta posição é essencial para a cidade do Lobito ter uma nova cara nos próximos cinco anos.

“Urge a necessidade de se convidarem os arquitectos e as universidades para se pronunciarem sobre as ideias e, posteriormente, desenhar um Lobito que seja uma cidade de crescimento, para as pessoas e o trabalho”, disse.

Assim, o executivo provincial pretende reconverter o município, que nos tempos idos foi apelidado de sala de visitas de Angola, num “projecto urbanístico estruturante para a cidade com vocação relevante para a fixação de espaços para agricultura e a economia e bem servida por transportes colectivos”, diz Isaac dos Anjos. E acrescentou: “é preciso pensar no crescimento”. No seu breve mas consistente discurso, Isaac dos Anjos aproveitou para citar a visão do arquitecto português Castro Rodrigues (falecido em 2 de Maio de 2015) que desenhou o Lobito como cidade moderna.

Castro Rodrigues foi o mentor do Cinema Flamingo e de outras estruturas e considerava o morro do Lobito a zona mais apropriada para a habitação tendo condições climatéricas melhores que a baixa da cidade. Para já, as empresas angolanas Omatapalo e Artte foram as únicas a apresentarem algumas sugestões para os trabalhos de requalificação que vão transformar muitos espaços e empreendimentos e assegurar a transferência actual da zona comercial para o ordenamento industrial das localidades do Biopio e do Culango.

Esta mudança permitirá criar uma nova área urbana na zona comercial com a construção de prédios altos que, segundo o projecto, vão permitir a densificação e uma melhor qualidade de vida. A transferência das salinas e a manutenção do estuário ecológico dos flamingos, garças e pelicanos também fazem parte deste vasto projecto de requalificação.

Os estaleiros navais há muito que pedem obras e vão sofrer uma recuperação, nomeadamente na ampliação das instalações na baia do Lobito Velho, local onde também serão instalados silos portuários voltados para albergarem avultadas quantidades de produtos para exportação e de importação através do Porto e dos Caminhos-de-Ferro de Benguela.

Outras intervenções decisivas para completar a requalificação deste município são: a Rotunda do Bar Africano (à entrada do Lobito), a zona do Parque Industrial, o mangal e, a Canata, o mais histórico dos bairros da cidade onde nasceram figuras como o político Daniel Chipenda e o futebolista Chico Gordo, o primeiro Bota de Ouro do futebol angolano que, mais tarde, jogou no Futebol Clube do Porto e no Sporting de Braga.

Administrador responde ao desafio do Governador

O evento, que demorou todo dia, teve ainda outras intervenções, entre as quais se destacou a do administrador do Lobito que aceitou o desafio de Isaac dos Anjos de “não cruzar os braços à espera que os empresários dessem o primeiro passo”. Ao Semanário Económico, Alberto Ngongo enalteceu o desafio do seu superior hierárquico salientando que é, de facto, preciso agir.

Alberto Ngongo lembrou que a melhor área com condições climatéricas e habitabilidade é a zona do morro que já está ocupada com moradias. Por essa razão, é necessário pensar na sua requalificação para oferecer melhores condições aos munícipes. Porém, diz, deve-se atrair investimentos e requalificar as zonas e, posteriormente, atrair as novas indústrias na área do Biopio e do Culango. “Queremos requalificar o morro e dar maior e melhores condições à população do Lobito”, explica.

O administrador do Lobito, assegurou ainda ao Semanário Económico que uma das estratégias deste executivo provincial e municipal passa também por criar condições para atrair o investimento privado para uma zona nobre da cidade, e refere, sublinhando que “a requalificação vai atrair turistas e empresas e vários serviços na região”.
Para o administrador municipal, a reunião com os arquitectos vai dar oportunidade a todos de participarem no projecto com ideias inovadoras.

Já para o director do Urbanismo Habitação e Ambiente, Helmanio Inácio, o encontro reuniu várias ideias valiosas e com sentido crítico. “Actualmente, pensa-se nas cidades inteligentes com comodidade para a população”, diz (semanarioeconomico.ao)

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