“Cavaco deu tiro nos pés e tem uma bota para descalçar”

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O Presidente da República “dedicou-se a minar a sua própria autoridade”, admite Miguel Sousa Tavares, certo de que “o país não aguenta seis meses com um governo de gestão”.

Miguel Sousa Tavares dedicou parte do seu comentário semanal na antena da SIC à análise do discurso feito na passada quinta-feira pelo Presidente da República, e do qual resultou a indigitação de Passos Coelho para primeiro-ministro.

“Infelizmente, nesta altura em que o país precisava de um Presidente da República que tivesse uma autoridade por todos reconhecida, o que temos é exatamente o contrário. Cavaco Silva dedicou-se a minar a sua própria autoridade e chega ao fim do mandato com uma autoridade que quase ninguém reconhece”, atirou.

Ainda que partilhe da opinião de que “nunca na história da democracia portuguesa houve países antieuropeístas a formar o governo” e tal não deve acontecer nos dias de hoje, o comentador não concorda com a forma como Cavaco Silva o comunicou.

Segundo Sousa Tavares, o chefe de Estado “tem constitucionalmente uma margem de discricionariedade política na formação do governo que pode usar”, mas esta não foi usada da melhor forma: “‘Eu não gosto do governo que estão a formar, sou contra esse governo'”, sublinhou.

Na opinião do escritor, no discurso que fez ao país, Cavaco Silva “deu um tiro nos pés” e não ajudou os partidos da coligação.

“Se queria ajudar os partidos da coligação, fez o contrário. Estou curioso por saber como ele vai descalçar esta bota, quando o governo PSD/CDS cair e António Costa lhe apresentar uma alternativa”, rematou Sousa Tavares, não sem deixar o seu olhar sobre a possibilidade de um governo de gestão se manter durante seis meses: “O país não aguenta. Isso é a verdadeira instabilidade e vai contra aquilo que ele sempre disse”. (noticiasaominuto.com)

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