Captar o pensamento estratégico africano

MANUEL ENNES FERREIRA Doutorado em Economia (Foto: D.R.)
MANUEL ENNES FERREIRA Doutorado em Economia (Foto: D.R.)
MANUEL ENNES FERREIRA
Doutorado em Economia
(Foto: D.R.)

À medida que as relações entre a China e África se vão alargando, iniciadas pela vertente económica, novas propostas vão sendo apresentadas e postas em prática. Estas fazem parte, claramente, de iniciativas de apoio à consolidação da presença chinesa no continente e que sendo claramente do seu próprio interesse, enlaçam igualmente propósitos africanos.

Sem dúvida que quando dois parceiros estreitam fortemente as suas relações, ambas as partes têm necessidade de se conhecer melhor. E a China, como tem mostrado, não fica à espera e avança. É o que se passa no domínio, diria estratégico, do pensamento estruturado e elaborado sobre a realidade em cada um dos lados.

A iniciativa de 2011 lançada pela Zhejiang Normal University em Hangzhou e com o objectivo de criar uma plataforma de diálogo e conhecimento mútuo concretizado pelo Forum China-Africa de  ink Tanks é um passo inteligente. Através dele pode ter-se acesso ao pensamento das elites africanas, isto é, como estas vêm os seus países, que rumo dar-lhes, que necessidades têm, como a cooperação internacional pode contribuir para o desenvolvimento, etc.

Vem isto a propósito da 4ª reunião que ocorreu no mês passado na África do Sul, depois do segundo encontro em Addis Ababa e o terceiro (em 2013) em Beijing. E neste evento foi dado mais um signifi cativo salto em frente: a aprovação do Plano de Parceria China-Africa 10+10  ink Tanks.

Compreender o desenvolvimento contemporâneo da China e de África no mundo actual, saber como a cooperação académica sino-africana pode desenvolver o capital intelectual, ou ainda desenvolver os estudos africanos na China e os chineses em África, são alguns dos seus objectivos. Da parte africana fazem parte instituições académicas da Nigéria, Senegal, Quénia, Etiópia, África do Sul, Marrocos e Camarões.

Cooperação universitária e de investigação entre países africanos e europeus ou americanos, existem. Contudo, pela exiguidade de meios e por se tratar normalmente de relações bilaterais individualizadas, ‘as economias de escala’ e os ‘ganhos de dimensão’, tão típicos da análise económica, perdem completamente para a China. E esta faz o seu caminho… (semanarioeconomico.ao)

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