Brasil já deu asilo a 8000 refugiados e abre a porta a mais sírios em fuga

(Euronews)
(Euronews)
(Euronews)

A agência da ONU para os refugiados e o governo brasileiro assinaram em Genebra, Suíça, um acordo para impulsionar a cooperação mútua face à crise de refugiados na Europa. Desde 2013, o Brasil tem concedido vistos especiais a refugiados sírios, como Tulin Hashemi (foto, em cima) que vive na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro.

Apesar da distância geográfica que separa o Brasil da Síria, o maior país da América do Sul é o que acolhe atualmente o maior número de refugiados: 8000.

Ao abrigo do acordo, as autoridades brasileiras comprometem-se a conceder vistos especiais de forma mais eficiente e segura. O governo brasileiro pretende adotar procedimentos para identificar famílias e pessoas com necessidades especiais elegíveis para adquirir aquele tipo de visto e rumar ao Brasil.

Firmado na segunda-feira e divulgado esta quarta-feira, o acordo foi rubricado pelo secretário de Justiça do Brasil Beto Vasconcelos, a representante permanente do Brasil junto ao Escritório das Nações Unidas em Genebra, Regina Maria Cordeiro Dunlop, e o diretor da divisão de Proteção Internacional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Volker Turk.

A história de Tulin Hashemi

A viver na favela do Vidigal, por ser um dos locais mais baratos do Rio de Janeiro, Tulin Hashemi contou à Reuters ter fugido de Damasco, a capital da Síria, há cerca de 8 meses. Primeiro rumou à Turquia e depois conseguiu viajar para o Brasil. Chegou há cerca de 2 meses e recebeu o estatuto de refugiada. Já foi a entrevistas de trabalho, mas sem saber ainda falar português é difícil e, por isso, começou a aprender o idioma. Há cerca de 2 semanas que conta com a companhia da mãe.

Desde 2013, os consulados brasileiros no Médio Oriente têm atribuído vistos especiais ao abrigo de procedimentos simplificados que facilitam a viagem para o Brasil de pessoas em fuga de conflitos no Médio Oriente em busca asilo.

“Apesar da distância geográfica, 8000 pessoas já receberam este visto especial que possibilitará que reconstruam as suas vidas no nosso país”, disse Beto Vasconcelos.

“Esta política de ‘portas-abertas’ foi recentemente estendida por mais dois anos e nós continuamos a procurar formas de melhorar a sua implementação e os resultados. É possível fazer mais. É preciso fazer mais”, referiu o governante brasileiro.

O diretor da divisão de Proteção Internacional do ACNUR congratulou o Brasil pela iniciativa, descrevendo-a como sendo um “gesto importante de solidariedade internacional diante de uma crise global dos refugiados”. “Encorajamos os países da região e do resto do mundo a seguir este exemplo” do Brasil, afirmou Volker Türk.

Há quase cinco anos, a Síria é palco de um conflito resultante de protestos contra o regime de Bashar al-Assad.

De acordo com o ACNUR, mais de 240.000 pessoas morreram desde a eclosão do conflito, em março de 2011, altura em que o país entrou em uma espiral num conflito travado em várias frentes por diversos grupos armados.

Mais de quatro milhões de sírios fugiram para países vizinhos, devido à guerra que provocou 7,6 milhões de deslocados internos.  (euronews.com)

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA